quinta-feira, 30 de junho de 2016

Desemprego chega a 11,2% no trimestre e atinge 11,4 milhões de pessoas

A taxa de desemprego no Brasil, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, ficou em 11,2% no trimestre encerrado em maio deste ano. Ela é superior aos 10,2% de fevereiro e aos 8,1% do trimestre encerrado em maio de 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o mais alto da série histórica iniciada em março de 2012 e o mesmo do trimestre encerrado em abril deste ano.

A população desempregada é de 11,4 milhões de pessoas, 10,3% (ou 1,1 milhão de pessoas) a mais do que o trimestre encerrado em fevereiro e 40,3% (ou 3,3 milhões de pessoas) a mais do que no trimestre encerrado em maio de 2015.

A população ocupada (90,8 milhões de pessoas) manteve-se estável em relação a fevereiro de 2016. Já em relação a maio de 2015, houve um recuo de 1,4%, ou seja, menos 1,2 milhão de pessoas. Já os empregos com carteira assinada no setor privado apresentaram quedas de 1,2% em relação a fevereiro e de 4,2% na comparação com maio do ano passado.

Queda
Analisando-se a população ocupada nos grupamentos de atividades, na comparação com fevereiro, houve queda nos postos de trabalho na construção (-2,9%) e da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-1,7%). Segundo a pesquisa do IBGE, houve crescimento de pessoas ocupadas na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,8%). Os outros sete se mantiveram estáveis.

Na comparação com maio de 2015, houve recuo nos contingentes de trabalhadores da indústria geral (-10,7%) e informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-8,6%).

Mas o estudo detectou aumento dos postos de trabalho nos serviços domésticos (6,5%), transporte, armazenagem e correio (5,5%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (5,5%), e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,5%).
Fonte: Agência Brasil

Gasto com Previdência Social vai dobrar em 30 anos, alerta pesquisadora do Ipea

A professora defendeu uma reforma no sistema previdenciário e corte de gastos

O gasto com a Previdência Social no Brasil deve dobrar em 30 anos. O alerta é da professora Ana Amélia Camarano, doutora em Estudos Populacionais e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A professora participou de palestra promovida pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara nesta quarta-feira (29), sobre a Previdência Social e o envelhecimento da população.

Segundo a professora, hoje o gasto previdenciário representa 7,5 % do Produto Interno Bruto (PIB) e tende a ser de 15% em 30 anos. Isso porque, conforme a especialista, a população brasileira está envelhecendo em ritmo acelerado, ao mesmo tempo em que começa a diminuir a população em idade de trabalhar.

“Hoje, no Brasil, 13% da população tem mais de 60 anos. A previsão é que, em 2040, chegue a 25%. Ou seja, vai dobrar o contingente de idosos”, disse. “Ao mesmo tempo, já está diminuindo a população jovem, daqui a pouco começará a diminuir a população em idade de trabalhar”, completou. “Então você vai ter uma população super envelhecida, convivendo com uma população trabalhadora reduzida. Então, quem vai trabalhar para pagar as contas, quem vai trabalhar para contribuir com a Seguridade Social?”, questionou.

Reforma da Previdência
A professora afirmou que o Congresso deve formular novas políticas públicas para lidar com essa mudança demográfica. Entre essas novas políticas, ela defende uma reforma da Previdência, para diminuir os gastos previdenciários. Segundo ela, “há muitas gorduras”, que podem ser cortadas.

“No Brasil, é permitido o indivíduo acumular dois benefícios, pensão por morte e benefício de aposentadoria; é permitido acumular rendimento de trabalho com aposentadoria. O indivíduo aposenta muito cedo, até porque depois ele pode voltar ao mercado de trabalho e depois ter duas rendas”, explicou. “A mulher vive oito anos a mais que homem, contribui com cinco a menos ou aposenta cinco anos mais cedo, ou seja, ela fica 13 anos a mais que o homem recebendo benefício da aposentadoria”, complementou.

Para a pesquisadora, é possível diminuir algumas despesas. O governo do presidente interino Michel Temer já criou grupo de trabalho para discutir a reforma. Entre os temas em discussão, estão a idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição e a redução entre as diferenças entre homens e mulheres. Maria Amélia ressaltou, porém, ser contra a desvinculação do piso do salário mínimo, para qualquer benefício.

Política de cuidados
A deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) acredita que os parlamentares têm que se sensibilizar para o tema desde já, para que o sistema previdenciário não entre em colapso, como ocorreu na Grécia, por exemplo. Ela destacou também que o Congresso Nacional já discute outras propostas para lidar com o envelhecimento da população, como o projeto que trata da Política Nacional do Cuidado (PL 2029/15, de sua autoria).

“A Política Nacional do Cuidado dá as regras, as diretrizes, para que sejam elaboradas as políticas públicas para as populações vulneráveis, como crianças, idosos, deficientes, portadores de doenças raras, para que eles tenham acesso ao cuidado de qualidade. Inclusive a proposta diz qual seria a fonte de financiamento deste cuidado”, apontou.

Cristiane Brasil também chamou atenção para a necessidade de se regulamentar a profissão de cuidador. A deputada foi relatora de projeto (PL 1385/07) nesse sentido, que já foi aprovado pela Câmara e agora está sendo analisado pelo Senado.
Fonte: Agência Câmara

Temer diz que iniciativa privada é que ajuda o Estado a crescer

Ao participar da inauguração da nova fábrica de celulose da Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do país, o presidente da República interino, Michel Temer, destacou nesta terça-feira (28) o papel da iniciativa privada no desenvolvimento do país. A nova unidade, chamada de Puma, fica no município de Ortigueira (PR).


“Ao longo do tempo, tenho dito, com frequência, que a iniciativa privada é quem ajuda o Estado a crescer. Um país forte é um país amparado pela atuação da iniciativa privada”, disse Temer durante discurso. A fábrica inaugurada hoje teve investimentos de R$ 8,5 bilhões, segundo o Palácio do Planalto. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que financiou R$ 3,37 bilhões e R$ 800 milhões em subscrição de debêntures simples.

Em seu discurso, Temer também disse “ver com bastante alegria” a privatização de escolas ocorrida na região. “Quando eu vejo, com grande alegria, que aqui foram praticamente privatizadas, digamos assim, 29 escolas da região, eu vejo a preocupação social.”

BNDES
Em entrevista após o evento, perguntado se a decisão do governo de retirar R$ 100 bilhões em recursos repassados pelo Tesouro Nacional ao BNDES poderá dificultar o financiamento de obras como a da Klabin, Temer garantiu que o banco de fomento terá recursos para investir em novos empreendimentos.

“É que ainda sobram R$ 400 bilhões para o BNDES, primeiro ponto. Segundo ponto, esses R$ 100 bilhões, que vão ser tirados pouco a pouco, já foram negociados com o BNDES. A presidenta Maria Sílvia [Bastos Marques] não vê nenhum problema em relação a isso. E como disse, reitero, ainda sobram lá R$ 400 bilhões, que é do Tesouro público que estão no BNDES”, argumentou.

O presidente interino voltou a dizer que, apesar da interinidade e do pouco tempo de governo, tem conseguido aprovar medidas importantes e “pacificar” o país. “Estou há pouquíssimo tempo à frente do governo e, na verdade, estamos pregando uma espécie de pacificação nacional, um movimento no sentido de reunificar o pensamento nacional, de fazer com que todos se empenhem, como se empenham aqui, para o crescimento do país.”

Fábrica
As obras da nova fábrica de celulose da Klabin foram executadas em 24 meses e a unidade terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose de fibra curta ao ano e 400 mil toneladas de celulose de fibra longa, com a previsão de geração de 1,4 mil empregos diretos e indiretos.

Segundo a Klabin, a unidade é um empreendimento de cerca de R$ 8,5 bilhões, incluindo infraestrutura, impostos e correções contratuais. Com a nova fábrica, a Klabin dobrará sua capacidade de produção e vai oferecer, simultaneamente, celulose de fibra curta (eucalipto), celulose de fibra longa (pinus) e celulose fluff (usada, principalmente, nos segmentos de absorventes e fraldas descartáveis, pela alta capacidade de absorção).

Parte da celulose de fibra longa será convertida em celulose fluff, a única do país produzida a partir de florestas plantadas de pinus e processada em uma unidade industrial projetada para essa finalidade.
Fonte: Portal EBC

Aposentadoria por idade: as regras atuais e os efeitos da possível reforma da Previdência

Desde que assumiram o comando do país de forma interina, o atual presidente Michel Temer e sua equipe econômica colocaram como uma de suas metas principais a reforma da Previdência Social. E um dos pilares desta reforma é a fixação de uma idade mínima de 65 anos para ter o direito a dar entrada na aposentadoria. E, nos próximos dias, o governo se reunirá com as centrais sindicais para começar a estruturar a proposta da reforma e os novos rumos da aposentadoria por idade no Brasil.

Atualmente, o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) estabelece que a aposentadoria por idade será concedida mediante a comprovação de uma carência mínima de 180 contribuições ou 15 anos, bem como os 60 anos de idade para as mulheres e aos 65 anos para os homens. O professor e doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Gustavo Filipe Barbosa Garcia ressalta que há redução desse limite mínimo de idade em cinco anos para os trabalhadores rurais de ambos os sexos, ou seja, 60 para homens e 55 para mulheres, e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, como o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal.

O advogado João Badari, especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, observa que no caso do trabalhador rural, ele deve estar exercendo atividade nesta condição no momento da solicitação do benefício. “Caso não comprove o tempo mínimo de trabalho necessário, o trabalhador poderá pedir o benefício com a mesma idade do trabalhador urbano, somando o tempo de trabalho como segurado especial ao tempo de trabalho urbano”, explica.

Os servidores públicos, também poderão se aposentar por idade. A advogada de Direito Previdenciário Anna Toledo, da Advocacia Marcatto, explica que no caso dos servidores existem inúmeras regras de aposentadoria nesta modalidade. “No entanto, como regra geral, se aposentarão por idade com proventos proporcionais ao tempo de contribuição os servidores que comprovem um tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público, sendo cinco anos no cargo efetivo em que se der a aposentadoria”, alerta. O requisito etário para os servidores públicos também é de 65 anos de idade para os homens e 60 anos de idade para as mulheres.

Cálculo
Os especialistas explicam que o cálculo do valor do benefício do segurado do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) procede da média aritmética de contribuições e dos os salários de contribuição desde julho de 1994 até o dia, mês e ano que o segurado requisitar o seu benefício. De acordo com Anna Toledo, o cálculo da aposentadoria por idade corresponde a 70% desta média aritmética, sendo acrescido 1% ao tempo de contribuição que ultrapasse o limite exigido, de 15 anos. “Por ser um benefício programado, há incidência do fator previdenciário, porém sua aplicação nesta modalidade é facultativa e a autarquia previdenciária não se aplica. Portanto, apresenta-se de forma mais vantajosa ao segurado”, aponta a advogada.

O advogado previdenciário Celso Joaquim Jorgetti, da Advocacia Jorgetti, cita como exemplo que se um segurado contribuiu por 15 anos, sua aposentadoria será 85% do valor integral (70% + 15%). “Se ele tivesse direito a uma aposentadoria integral de R$ 2.000,00, seu benefício será 85% disso, ou seja, R$ 1.700,00”, exemplifica.

O professor Gustavo Garcia destaca que o salário de contribuição é a remuneração auferida em uma ou mais empresas. “Trata-se da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços”. Os especialistas ressaltam também que o valor do benefício não pode ser inferior a um salário mínimo, nem superior ao do limite máximo do salário de contribuição na data de início do benefício. A partir de 1º de janeiro de 2016, o salário de benefício e o salário de contribuição não podem ser inferiores a R$ 880,00, nem superiores a R$ 5.189,82. “Na verdade, nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado pode ter valor mensal inferior ao salário mínimo”, alerta Garcia.

Reforma prejudicará segurados
Na visão dos especialistas, caso o atual governo realmente condicione a idade de 65 anos para requerer aposentadorias prejudicará o trabalhador que está no mercado de trabalho e na iminência de se aposentar. “A meu ver, a medida não é justa e nem razoável. Representa um verdadeiro retrocesso social, visto que já existe o fator previdenciário, extremamente desestimulante, e que reduz drasticamente o valor dos benefícios, que leva em conta justamente a expectativa de vida. Como a recente criação da regra 85/95 corrige positivamente a questão da aposentadoria precoce, a instituição do requisito etário de 65 anos para se requerer benefício, tanto para homem, como para mulher, extrapola os limites relativo às políticas de controle do estado face instabilidade das relações econômicas, em detrimentos dos direitos sociais, que devem ser preservados”, opina Anna Toledo.

Já o advogado Celso Jorgetti defende que, caso seja implementada a idade mínima de 65 anos para aposentadoria por idade, “os trabalhadores nesta condição serão extremamente prejudicados, pois passarão a contribuir por muito mais tempo”.

O especialista ainda observa que é comum o trabalhador brasileiro começar a trabalhar aos 16 anos de idade “e, com a idade mínima de 65 anos para aposentadoria, terá de contribuir por 49 anos, ao invés de 35 anos que é a regra atual. Com a implantação da idade mínima não fará diferença se o segurado terá trabalhado 35, 40 ou 50 anos”.

João Badari reforça que “se ocorrer esta mudança na lei, o governo acabará com a aposentadoria por tempo de contribuição e aniquilará um direito social do segurado brasileiro, garantido pela Constituição Federal”.
Fonte: Jusbrasil

terça-feira, 28 de junho de 2016

UGTpress- CIVILIZAÇÃO: UM PASSO ATRÁS

PLEBISCITO: uma vitória apertadíssima (52 % contra 48%) levou o Reino Unido para fora do bloco europeu. Há 43 anos, a Inglaterra e os países do entorno faziam parte da União Europeia, conjunto de 28 países (agora 27), cuja montagem foi um quebra cabeça de décadas, mas que representou um exemplo e um caminho para a humanidade. Em termos de civilização, foi um passo à frente. Conflagrada, a região foi assolada por guerras ao longo da sua história. Após a Segunda Grande Guerra Mundial, na década de 1950, um grupo de líderes começou a esboçar os planos de unificação, algo que tinha como objetivo básico transformar o continente europeu em uma região de paz. Paz econômica, social e política.

ERRO DE CAMERON: o pretensioso David Cameron, primeiro ministro, convocou o plebiscito na certeza de que o Reino Unido permaneceria na União Europeia. Teve como objetivo consolidar a sua própria liderança e talvez a da Inglaterra, e de Londres como centro financeiro mundial, com nova voz no interior da Comunidade Europeia. Sua aposta revelou-se desde o início frágil e viu-se arruinada pela crise com os imigrantes, considerados pelos nativos como invasores e ladrões de empregos. Tanto que os resultados, sem análises mais profundas, mostram os jovens votando pela permanência e os mais velhos pela saída; os pobres, operários e os interioranos votando também pela saída; as pesquisas mostraram os mais instruídos votando pela permanência; em Londres, Irlanda do Norte e Escócia venceu a permanência. O resultado mais expressivo pela permanência ocorreu na Escócia, mais de 60%. Essa geografia eleitoral poderá ainda ter consequências: a Escócia poderá retomar as ideias de independência e a Irlanda do Norte poderá mudar sua posição, revendo o isolacionismo. Em outras palavras, os resultados podem representar um desastre político para o Reino Unido.

UM PASSO ATRÁS: a saída do Reino Unido da União Europeia, independentemente dos problemas econômicos, para os quais, com o tempo, sempre há solução, representa um passo atrás em termos civilizacionais. No mundo, as fronteiras (no início, as cercas e os muros) sempre significaram um potencial de guerra e destruição. A própria Inglaterra foi beneficiada pela luta mundial contra o nazismo, cujo primeiro objetivo foi a eliminação do seu potencial militar e econômico. Voltar atrás e tornar-se novamente apenas uma ilha é um gesto de miopia política. Nem é preciso voltar na história para lembrar da Guerra dos Cem Anos, das guerras napoleônicas, dos espanhóis e a Invencível Armada, de Trafalgar e suas trapalhadas no Oriente Médio. Reino lendário "onde o sol jamais se punha" começou a ser destruído com a Primeira Grande Guerra, consolidou sua decadência com a Segunda Grande Guerra e a ascensão dos Estados Unidos. Era parte importante de um grande bloco econômico. Não é mais.

VOLTANDO A SER UMA ILHA: certa vez, ao iniciar uma aula, o historiador Jules Michelet disse: "A Inglaterra é uma ilha". A frase ficou famosa por sua verdade intrínseca. A história da ilha é cheia de glórias. Feitos militares, culturais e esportivos fazem parte de seu orgulho nacional e, certamente, isso também contribuiu para que o individualismo prevalecesse. Contudo, a frase que mais diz sobre os ingleses é de Rudyard Kipling: "Ah, os ingleses ... Os ingleses são uma raça à parte". Inventaram inúmeros esportes, incluindo o futebol, o mais praticado do mundo; seu teatro shakespeariano é um exemplo soberbo; a luta contra a escravidão; a revolução industrial, etc., são todos feitos dignos. Sim, há também páginas negras como o colonialismo, o expansionismo, a pirataria e outras mazelas. Inventou até mesmo o seu próprio cristianismo. Então, por qualquer lado que se olhe, não se pode ignorar a Ilha. Com a União Europeia, a Inglaterra não era mais somente uma ilha, era parte de um continente e de uma ideia de integração. Isso se perdeu na quinta-feira, 23 de junho de 2016, data que alguns eurocéticos estão chamando de"nova independência".
 
UM TIRO NA GLOBALIZAÇÃO: a ideia de globalização tomou conta do mundo na segunda metade do século passado. A interdependência sempre foi uma realidade entre as nações. Hoje, nada mais se faz sem ter consequências globais. A saída do Reino Unido do bloco europeu é um tiro na globalização, na filosofia de blocos econômicos, na tentativa de eliminar fronteiras e no objetivo de integração dos povos. Sem dúvida foi um prejuízo em termos civilizacionais.

Novo relatório estende imposto sindical para servidor estadual e municipal

O deputado Bebeto (PSB-BA) apresentou, na terça-feira (21), uma nova versão do relatório lido em 15 de junho na Comissão Especial sobre Financiamento da Atividade Sindical, que propõe nova contribuição a ser paga pelo trabalhador (sindicalizado ou não): a contribuição negocial.

Entre as modificações está estender a servidores estaduais e municipais a obrigação de pagar um dia de trabalho como imposto sindical. O texto inicial previa o tributo apenas para servidores públicos federais.

Como houve pedido de vista coletivo, é contado o prazo de duas sessões para colocar o texto em votação. Como não haverá votações em Plenário na próxima semana, o prazo só começará a contar em julho e o texto pode ser votado na segunda semana do mês.

Contribuição negocial
A contribuição negocial, prevista no relatório de Bebeto, será cobrada mensalmente tanto de empregados quanto de empregadores, com exceção do mês de cobrança da contribuição sindical. O valor a ser arrecadado será fixado em assembleia de negociação salarial ou convenção coletiva e não poderá ultrapassar 1% da remuneração bruta anual do trabalhador.

Essa contribuição, destinada ao pagamento das despesas jurídicas, técnicas e administrativas das negociações coletivas, é cobrada atualmente por alguns sindicatos, mas há questionamentos na Justiça sobre sua validade e extensão.

Para Bebeto, o projeto apenas regulamenta a situação: “Aqui nós estamos apenas, com esta medida, regulamentando uma contribuição negocial para evitar que a discricionariedade continue a existir e taxas que não são razoáveis a serem praticadas.”

O deputado Leonardo Monteiro (PT-MG) elogiou o texto e disse que Bebeto conseguiu ouvir vários setores do movimento sindical. O deputado Zé Silva (SD-MG) afirmou que a proposta traz alterações profundas e fundamentais para o fortalecimento do sindicalismo. “Importante para o setor econômico, mas principalmente para os trabalhadores brasileiros.”

Já o deputado Max Filho (PSDB-ES) criticou a criação do novo tributo. “Sei que há um desejo de fazer uma transição, pelo que eu percebo no texto. Mas, se nós deixarmos as duas contribuições, o trabalhador vai deixar de dar um dia e vai passar a dar uma semana”, afirmou.

O texto dispensa todos os sindicatos de promover a distribuição dos valores arrecadados com a contribuição negocial. O parecer de Bebeto também dispensa os sindicatos rurais de emitir guias do novo tributo.

Atividade antissindical
O novo relatório incluiu penalidade para o empregador que intervier na autonomia das assembleias ou agir para inibir a participação de trabalhador no sindicato. Para cada trabalhador prejudicado, o empresário terá de pagar R$ 1 mil.

O relatório entregue nesta terça-feira (21) prevê também que as contribuições sindical e negocial devam ser aplicadas para custear a atividade sindical, seja da categoria econômica – empregados de um mesmo área, seja da profissional – empregados da mesma profissão. O texto inicial previa que os recursos fossem usados somente para bancar os sindicatos por categoria econômica.

Pelo novo texto de Bebeto, o prazo de sete dias para convocar assembleia de discussão da contribuição negocial poderá ser reduzido em casos de paralisação ou greve. “Esse é um acréscimo prudente que visa promover um zelo às ações dos trabalhadores”, disse.

Conselho Sindical
Bebeto retirou a previsão de apenas uma recondução para os membros do Conselho Nacional de Autorregulação Sindical. Com isso, os dirigentes do órgão, formado por empregados e empregadores de forma paritária - com nove membros cada e mandato de até dois anos - poderão ser reeleitos mais de uma vez.

“Quem vai regulamentar será o próprio conselho. O que queremos fortalecer é a institucionalidade. A manutenção ou recondução é responsabilidade das instituições”, disse o deputado. Segundo ele, a regra é a mesma dos sindicatos, em que é permitida a reeleição dos dirigentes.
Fonte: Agência Câmara

Centrais e governo debatem Previdência

Força Sindical, UGT, Nova Central e CSB voltam a se reunir nesta terça (28), às 15 horas, com o ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha. O encontro, no Palácio do Planalto, retoma as negociações sobre a reforma da Previdência Social. O debate ocorrerá em torno das propostas do movimento sindical para recuperar a saúde financeira da previdência pública.

Os sindicalistas devem cobrar do governo uma posição clara quanto à participação do agronegócio no financiamento da Previdência. Na semana passada, informações conflitantes lançaram dúvidas sobre o tema: nota publicada no jornal O Estado de S. Paulo, revelando a intenção do governo de cobrar INSS de empresas exportadoras do agronegócio, foi saudada por sindicalistas; em seguida, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, rejeitou a proposta.

A taxação do agronegócio faz parte das medidas defendidas pelas Centrais, visando promover o equilíbrio do caixa da Previdência, ao lado da regulamentação dos bingos.

Juvenal Pedro Cim, secretário de finanças da CSB, disse à Agência Sindical que a fala do ministro é inoportuna. “Hoje, a Previdência Social é mantida por 98% de contribuições do setor urbano e somente 2% do rural, mas todos os trabalhadores merecem se aposentar”, argumenta.

O 1º secretário da Força, Sérgio Luiz Leite (Serginho), afirma que as Centrais vão reafirmar a proposta de taxar o agronegócio na reunião de hoje. “É uma benevolência dada ao agronegócio colaborar com 2,6% para a Previdência, enquanto a indústria arca com 20% no mínimo. Quando o ministro diz que não aceita a proposta, ele está dizendo que se nega a colaborar com a aposentadoria do trabalhador do campo”, diz.

Propostas - As Centrais também defendem o fim das desonerações da folha de pagamento; revisão de isenções às entidades filantrópicas; melhoria da fiscalização da Previdência Social, por meio do aumento e maior eficiência da fiscalização; e criação de Refis para a cobrança dos R$ 236 bilhões de dívidas ativas recuperáveis com a Previdência Social.
Fonte: Agência Sindical