quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

UGTpress - BARACK HUSSEIN OBAMA: LEGADO

PRESIDENTE NEGRO: no início de seu primeiro mandato, Barack Obama precisou de paciência para suportar as críticas e as piadas a seu respeito. Estas pululavam como cogumelos na imprensa e redes sociais americanas. Dizia-se até que os Estados Unidos jamais viriam a ter novo presidente negro, tal a soma de trapalhadas que seriam produzidas pela Casa Branca. Talvez o presidente que se despede com dois mandatos (sim, ele foi reeleito) tivesse a autoconfiança necessária para virar o jogo. Confiou no tempo e agora sai incensado pela mídia e com popularidade que beira os 50%. É muito cedo ainda para julgar o seu legado, mas ele tem se esforçado para apresentá-lo da melhor maneira ao povo americano.

ULTIMOS DIAS: parecendo um atleta disputando uma maratona, sua estratégia foi aproveitar o máximo possível do momento de despedida. Andou muito, concedeu diversas entrevistas, fez um memorável discurso de despedida em sua Chicago. Sua esposa também participou desse périplo e apareceu muito ao seu lado e em importantes programas de TV, como o da Oprah Winfrey e Tonight Show da NBC. Toda essa visibilidade do casal Obama foi milimetricamente planejada e resultou na mais rumorosa e espetacular despedida de um presidente americano de seu cargo. Tão ruidosa, a ponto de David Gergen, diretor do Centro de Liderança da Escola Kennedy (Universidade de Harvard) ter dito: "Não me recordo de outra saída presidencial que tenha sido tão orquestrada e exagerada quanto essa" (Folha, 12/01). Exagerada ou não, foi eficiente. Barack Obama deverá permanecer por bom tempo na memória dos americanos.

REPERCUSSÃO: David Blight, professor de História da Universidade de Yale: "Visto que os americanos estão agora, e num futuro previsível, extremamente divididos politicamente, a presidência do presidente Obama terá durante algum tempo, no mínimo, legados duais. A direita continuará a lembrar dele e a usá-lo como modelo favorito de um Estado grande e progressista e como objeto de seu ressentimento racial. Outros, especialmente os liberais, se lembrarão dele como o maior expoente do Primeiro Americano (como presidente negro), e como um líder político às vezes reticente, mas sempre profundamente sério, inclusive brilhante, em uma época de problemas intratáveis. Mas no renascimento depois da Grande Recessão, na imigração, no acesso à saúde, nos direitos dos homossexuais, talvez no controle de armas e, certamente, na mudança climática, Obama terá um legado duradouro e transformador. Devemos dizer também que talvez nenhum presidente de grande importância desde Lincoln (talvez Franklin Roosevelt) enfrentou uma oposição tão feroz e implacável. Durante a maior parte do tempo, lidou com os ataques da direita com uma graça que não mereciam". A opinião do professor Bligth foi elaborada a pedido do jornal espanhol El País. Há muitas opiniões, mas optamos por esta porque ela oferece os dois lados do atual espectro político americano.

DISCURSOS: além de ser o primeiro negro a presidir os Estados Unidos e sofrer a mais obstinada e cruel oposição do Partido Republicano, Obama foi capaz de produzir verdadeiras obras primas em seus discursos. Inegavelmente, em décadas, é o melhor orador a ocupar a Casa Branca. Entre os discursos que serão lembrados, certamente estará aquele que ele fez em 2004, na Convenção do Partido Democrata, quando se apresentou de maneira brilhante e inesquecível ao povo americano. Há outros, a saber: Cairo em 2009, quando fez um apelo de paz ao mundo muçulmano; Oslo, 2009, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz; Selma em 2015, sobre racismo quando atravessou com a família a ponte sobre o rio Alabama; Charleston 2015, em cerimônia religiosa, falando sobre mortos no confronto racial; Havana 2016, sobre a longa separação entre Cuba e Estados Unidos, quando utilizou a metáfora dos irmãos que, embora com o mesmo sangue, viveram separados durante longo tempo; e o último em Chicago, de despedida.

NO BRASIL: Barack Obama visitou o Brasil de 18 a 20 de março de 2011 sob a presidência de Dilma Rousseff.  Esteve acompanhado da mulher, das filhas e da sogra. Visitou Brasília e Rio de Janeiro. Na ocasião, foi cumprimentado pelo presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah. A foto do encontro emoldura a sala do presidente da UGT, um sindicalista com estreitas relações com o sindicalismo americano e que esteve no lançamento da candidatura de Barack Obama quando da Convenção do Partido Democrata. Patah externou a sua opinião: “Além de ser o primeiro presidente negro e haver enfrentado dura oposição dos radicais de direita, Obama foi reeleito e chega ao final de seu segundo mandato oferecendo um legado extraordinário. Não será esquecido. Certamente, será enaltecido por sua capacidade de, em meio às dificuldades, ter conduzido de forma brilhante o governo dos Estados Unidos. Contribuiu para a paz no mundo e sai com popularidade recorde".

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

De cada três novos desempregados no mundo em 2017, um será brasileiro

O Brasil terá em 2017 o maior aumento do desemprego entre as economias do G-20 e adicionará 1,4 milhão de novos trabalhadores sem emprego à sociedade até 2018. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho que, em um informe publicado nesta quinta-feira, alerta que o desemprego no País vai continuar a se expandir para atingir um total de 13,8 milhões de brasileiros até o ano que vem.

A OIT estima que, entre 2016 e 2017, o exército de desempregados no planeta aumentará em 3,4 milhões. Mas o epicentro dessa crise será o Brasil, responsável por 35% desse número, com 1,2 milhão em 2017 e mais 200 mil em 2018. De cada três novos desempregos no mundo, um será brasileiro. 

Em termos absolutos, o Brasil terá a terceira maior população de desempregados entre as maiores economias do mundo, superado apenas pela China e Índia, países com uma população cinco vezes superior a do Brasil. Nos EUA, com uma população 50% superior à brasileira, são 5 milhões de desempregados a menos que no País.

"As coisas vão piorar no Brasil antes de voltar a melhorar", alertou o economista-senior da OIT, Steve Tobin. Pelos dados da entidade, o número de brasileiros sem empregos passará de 12,4 milhões em 2016 para 13,6 milhões em 2017. Para 2018, o número total chegará a 13,8 milhões. 
Em termos percentuais, o salto no desemprego no Brasil vai ser o maior entre as economias do G-20. A taxa irá passar de 11,5% em 2016 para 12,4% em 2017. Ao final de 2018, apenas a África do Sul terá um índice de desemprego ainda superior ao do Brasil. 

Na avaliação de Tobin, existem indicações de que a economia brasileira vai começar a se recuperar em 2018. Mas um impacto no mercado de trabalho não seria imediato, já que empresas tendem a aguardar antes de voltar a contratar. "Mesmo que o PIB melhore, existe uma reação retardada no mercado de trabalho", explicou. Na avaliação da entidade, a recessão em 2016 no Brasil foi "mais profunda que antecipada" e que essa realidade ainda vai se fazer sentir em 2017.

Um dos temores ainda da OIT é de que a informalidade no mercado de trabalho brasileiro cresça, assim como a taxa de pessoas em empregos precários. 

Impacto. Na OIT, os economistas não escondem que os números brasileiros tiveram um impacto mundial e afetaram os cálculos gerais. Para a entidade, como consequência, a América Latina tem hoje o maior desafio do desemprego no mundo, diante da recessão e suas consequências em 2017. Além disso, o continente conta ainda com uma população jovem, pressionando o mercado de trabalho. 

No total, a região deve terminar 2017 com uma taxa de desemprego de 8,4%, 0,3 pontos a mais que em 2016. "Isso será amplamente gerado pelo aumento do desemprego no Brasil", disse a OIT, lembrando que a recessão de 2016 foi a segunda em menos de uma década. 

De acordo com a entidade, com uma contração do PIB brasileiro de 3,3% e 2016, o resultado foi um impacto em toda a região e nas exportações de países vizinhos. O cenário brasileiro acabou levando o PIB regional a sofrer uma queda de 0,4%. Quanto mais dependente do Brasil, pior foi o resultado para o continente. Na América Central, por exemplo, a expansão do PIB foi de 2,4%. Já na América do Sul, a queda foi de 1,8%.

Uma das consequências deve ser ainda o grau de vulnerabilidade, mesmo entre aqueles com trabalho. Entre 2009 e 2014, esses problemas foram alvo de amplas melhorias. Mas com o fim do crescimento regional em 2015, a taxa de trabalhadores em condições precárias aumentou de novo e passou de 90,5 milhões naquele ano para uma estimativa de 93 milhões ao final deste ano.  

No médio prazo, a OIT ve a região com certo otimismo. A tendência aponta para uma estabilização dos preços de commodities e as "incertezas políticas e macroeconômicas começam a diminuir". O resultado seria uma volta do crescimento do PIB na região já em 2017, de cerca de 1,6%. 
Mas, ainda assim, a pressão sobre o mercado de trabalho vai continuar e o número de desempregados aumentará. Isso por conta da expansão da população jovem continuar a um ritmo mais acelerado que a criação de postos de trabalho. 

Mundo. Pelo mundo, a OIT alerta que o desemprego também deve aumentar em 2017, mas apenas de forma marginal. No total, serão 3,4 milhões de novos desempregados, uma taxa de 5,8%, contra 5,7% em 2016. 
Isso significa que um total de 201 milhões de pessoas estarão sem trabalho neste ano, um número que irá aumentar em outros 2,7 milhões em 2018. 

Se no início da década a explosão no desemprego foi gerado pela crise nos países ricos, agora os números apontam para os emergentes. Nas economias desenvolvidas, o número total de desempregados passará de 38,6 milhões de pessoas para 37,9 milhões entre 2016 e 2017. Mas, no mundo em desenvolvimento, ele subirá de 143,4 milhões para 147 milhões.
Para Guy Ryder, diretor-geral da OIT, o crescimento da economia mundial continua a ser "frustrante", o que deve criar sérios problemas para que mercados gerem postos de trabalho. 

Além do desemprego, a OIT alerta para o fato de que 42% daqueles com um trabalho ocupam postos com alta taxa de vulnerabilidade, baixos salários e nenhum direito. "Nos países emergentes, quase um em cada dois trabalhadores vivem uma situação de vulnerabilidade", disse Tobin, economista da OIT. 

Sem um crescimento suficiente da economia mundial, essa população com trabalhos precários deve aumentar em 11 milhões de pessoas. O número de trabalhadores ganhando menos de US$ 3,10 por dia deve também aumentar e mais de 5 milhões em apenas dois anos. 

Fonte: Estadão

Ação da PF contra fraude na Caixa tem Geddel como um dos alvos

A polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (13) sete mandados de busca e apreensão em uma operação para apurar um esquema de fraudes na liberação de créditos junto à Caixa Econômica entre 2011 e 2013. Policiais fizeram buscas, em Salvador, em imóvel do ex-ministro do PMDB Geddel Vieira Lima, que é um dos alvos da operação. Ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa no período investigado pela PF.

A ação desta sexta, batizada de Cui Bono, se baseia em informações encontradas em um celular em desuso apreendido pela polícia em dezembro de 2015 na residência oficial do presidente da Câmara. Na época, era o deputado cassado Eduardo Cunha que morava no local.

A apreensão do celular ocorreu durante busca e apreensão realizada na Operação Cantilinárias, da qual a Cui Bono é um desdobramento.
Segundo a PF, o celular apreendido continha "intensa troca de mensagens eletrônicas entre o presidente da Câmara à época e o vice-presidente da Caixa Econômica Federal de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013".

Ainda segundo as investigações, as trocas de mensagem "indicavam a possível obtenção de vantagens indevidas pelos investigados em troca da liberação para grandes empresas de créditos junto à Caixa Econômica Federal".

De acordo com os investigadores, o esquema investigado teve a participação também do então vice-presidente de Gestão de Ativos e de um servidor do banco. Também são alvos da investigação, segundo a PF, empresários e dirigentes do setor frigorífico, de concessionárias de administração de rodovias, de empreendimentos imobiliários e do mercado financeiro.

Fonte: G1

Trabalhadores com mais de 65 anos ocupam menos de 1% das vagas formais

Se a proposta de reforma da Previdência do governo federal for aprovada, a maioria dos brasileiros terá que trabalhar além dos 65 anos para conseguir a aposentadoria integral e manter seu padrão de vida na terceira idade. Quem optar por esse caminho, vai esbarrar em um número limitado de vagas formais para os idosos no mercado de trabalho brasileiro.

Estimativas do IBGE apontam que a população brasileira tem cerca de 16 milhões de pessoas com mais de 65 anos. No entanto, apenas 137,6 mil delas ocupam vagas formais no mercado de trabalho, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2015. Esse grupo representa apenas 0,3% dos 48 milhões de trabalhadores formais na economia brasileira em 2015.

Além dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que englobam os trabalhadores celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT), os números da Rais também incluem os servidores públicos federais, estaduais e municipais, além de trabalhadores temporários.

De acordo com a Rais de 2015, dos 5.570 municípios do país, 906 não tinham nenhum trabalhador com essa idade. A maior parte dos municípios (4.234) tinha, cada um, menos de 50 trabalhadores com 65 anos ou mais.
Entre as cidades com trabalhadores acima de 65 anos, aquela que tem mais pessoas nessa condição é São Paulo (15.756), seguida por Rio de Janeiro (10.935), Belo Horizonte (3.652), Brasília (3.508), Fortaleza (3.116), Salvador (3.072), Porto Alegre (3.011), Curitiba (2.957), Recife (2.873) e Belém (1.897).

Reforma da Previdência

O governo federal apresentou no início de dezembro uma proposta para a reforma da Previdência Social. Uma das principais mudanças é a criação de uma idade mínima de aposentadoria, de 65 anos, para homens e mulheres. Essa regra inviabilizaria que trabalhadores mais jovens se aposentassem por tempo de contribuição, como ocorre atualmente.

A proposta também muda o cálculo do benefício do aposentado. Para conseguir a aposentadoria integral, o trabalhador deveria contribuir por 49 anos. Ou seja, apenas aqueles que começaram a trabalhar com 16 anos teriam aposentadoria integral ao se aposentar com a idade mínima.
A proposta está em tramitação no Congresso Nacional e ainda pode sofrer modificações antes de entrar em vigor.

Idosos na economia informal

De acordo com a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, o número de idosos com mais de 65 anos trabalhando sobe quando se considera também o mercado informal.
Citando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, ela informou que havia cerca de 2,82 milhões de trabalhadores com mais de 65 anos no país em 2014 – enquanto que a população economicamente ativa somava mais de 100 milhões de pessoas.

"As pessoas se aposentam mais cedo. Aqui no Brasil, a legislação permite que as pessoas se aposentem cedo e continuem trabalhando. Provavelmente, muitos dos que voltaram a trabalhar estão nas atividades informais", avaliou a pesquisadora. Segundo ela, muitos trabalhadores com mais de 65 anos atuam no setor de serviços ou na agricultura.

A pesquisadora defende a necessidade de se fazer uma reforma da Previdência no país, com aumento da idade mínima, mas avaliou que é necessário oferecer um "pacote mais completo" para a população, englobando também medidas de saúde e de capacitação de idosos para o mercado de trabalho.

Empresas terão de se adaptar

Segundo Celso Bazzola, especialista em Recursos Humanos e diretor da consultoria de RH BAZZ, o mercado de trabalho mudou muito nos últimos anos. "Até 2007, 2008 havia uma tendência maior de não absorver mão de obra com uma maior idade, mas as empresas vêm percebendo que a experiência é importante. Isso já está mudando nos últimos anos", afirmou Bazzola.

Para ele, com a possibilidade de mudança nas regras de aposentadoria, com a instituição de uma idade mínima de 65 anos, conforme a proposta do governo, o mercado de trabalho, principalmente, as empresas, terão de começar a analisar a integração de profissionais mais experientes nos seus quadros profissionais.

"Vai ser algo bastante gradativo e muito pontual [o aumento da contratação de pessoas com mais idade]. Vai crescendo conforme acontece em outros países já", avaliou Bazzola.

Segundo o especialista em recursos humanos, os profissionais com mais idade tendem a atuar como "tutores" para os mais jovens, em escolas, cursos universitários, "coaching", e engenharia por exemplo. "Existe uma absorção interessante acima de 45 anos [nessas áreas].

Fonte: G1

UGTpress: A IMPRENSA NO DIVÃ

MERYL STREEP: lamentavelmente, o discurso da consagrada atriz americana na cerimônia de entrega do Globo de Ouro (domingo, 8) foi interpretado às pressas e sob o prisma exclusivamente político. Inicialmente, também mal traduzido pela televisão, sobretudo a resposta de Donald Trump. A visão partidária das declarações da senhora Streep e da resposta do senhor Trump obscureceu o essencial da fala da atriz, importante e de peso. As primeiras e apressadas reações foram de apoio e rejeição, conforme a preferência da pessoa ou do meio de comunicação ouvidos. O contexto geral do discurso que contém séria crítica à imprensa americana, corresponsabilizando-a pelo fenômeno Trump, foi ignorado.  A frase mais importante da atriz, segundo Chris Cillizza, jornalista do NYT (New York Times) foi: "Precisamos de uma imprensa íntegra que faça os poderosos responder por seus atos e os repreendam a cada desmando".

TRISTE COINCIDÊNCIA: um dia depois (9, segunda-feira) faleceu o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, um dos arautos do "novo tempo", autor, entre outras coisas, da tese de "modernidade líquida", aliás um dos títulos de sua vasta obra, no Brasil editada pela Zahar Editora. Neste "novo tempo", onde se procuram explicações exatamente para situações que contrastam com os conceitos da civilização tradicional, entre fatos como o Brexit, o Não da Colômbia ou a eleição de Donald Trump, todos, a rigor, na contramão das velhas normas de conduta, há uma sensação de desorientação geral.  Ao analisar os acontecimentos do século passado, na virada do milênio, Bauman criou a teoria da "liquidez de nosso tempo", uma complicada tese esclarecendo a transição para um novo tipo de sociedade, esta em que vivemos, globalizada, onde os velhos conceitos são confrontados por massas influenciadas pelo individualismo/imediatismo que germina em todas as partes. "O filósofo polonês defende que a insegurança e o susto com as rápidas transformações da sociedade contemporânea marcam o desejo por liberdade que caracteriza o nosso tempo, e também a dificuldade que temos em encontrá-la" (escritor Ricardo Lísias, Estadão, 10/01).  

DIFICULDADES: há enormes dificuldades para se encontrar explicações, simples e inteligíveis, para os acontecimentos desta época. Há um esgotamento da democracia partidária, formal; há um fortalecimento da excepcionalidade, seja a existência de governos abusivos ou sistemas totalitários; e há um predomínio nocivo dos meios de comunicação, elegendo sempre a exceção em detrimento do convencional. Também é difícil fazer a conexão entre o pensamento de Bauman, os acontecimentos nos Estados Unidos ou na Inglaterra e, pasmem, até mesmo com a passividade bovina da sociedade brasileira ante o império da corrupção e desgovernos sistemáticos. Tudo é muito confuso e inexplicável porque contraria o bom senso e a normalidade. Normal é a existência de eleições limpas, governos honestos e predomínio da integridade. Quando Meryl Streep diz "precisamos de uma imprensa íntegra", ela coloca o dedo na ferida e põe na bandeja uma parte do problema. Todavia, está longe de acertar no todo. Bauman está mais perto, mas também não é tudo e, especialmente, está a léguas do entendimento médio das populações. Estas estão mais próximas dos meios de comunicação e assim estes influenciam mais e imediatamente o pensamento das pessoas que votam.

IMPRENSA E IDEOLOGIA: sem pretensões filosóficas ou intenções críticas, a imprensa moderna, com rapidez e agilidade, apesar da aparente falta de credibilidade (menos de 10% dos americanos, de acordo com o Instituto Gallup, disseram confiar nos noticiários de TV, jornais e internet), tem conseguido influenciar mais objetivamente a mente das pessoas e, com isso, obter o que ideologicamente os partidos e os sindicatos jamais conseguiram ao longo da história. Ao serem administrados por grandes conglomerados empresariais ou grupos econômicos, os meios modernos tendem a ser mais eficientes para difundir ideias ou fabricar fenômenos de mídia. São milhões de mentes à disposição, absorvendo as matérias do dia a dia. Não foram encontradas ainda formas para confrontar esse monumental tráfico de influência. Após a morte de Bauman, precisaremos de novos formuladores de ideias para contrabalançar essa perigosa tendência e oferecer explicações para essas anomalias indesejáveis que contrariam as normas civilizatórias. Uma Meryl Streep de vez em quando é muito pouco!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

UGTpress: 2017, MAIS PREVISÍVEL DO QUE NUNCA

NOVO ANO, VIDA NOVA! essa máxima, repassada por gerações, marcando o início de todos os anos, já não é mais uma garantia para bons presságios. Em geral, as previsões são feitas aos montões e todas com boas chances de ser corretas. Isso porque hoje podemos nos basear em dados mais confiáveis, calcados em pesquisas sérias e opiniões de respeitáveis analistas. Assim, começamos 2017 com uma profusão de dados econômicos alarmantes, tragédias brasileiras e desastres naturais. Os dois primeiros (economia e tragédias brasileiras), embora repetidos à exaustão, ainda causam grande alvoroço. Os desastres naturais, decorrência da desídia governamental e da ausência de medidas ambientais de preservação, também frequentes, são aceitos como fatalidade. Quanto aos problemas na economia ou a existência, por exemplo, de massacres em prisões, todos simples de se resolver, seguem insolúveis pela inércia de uma classe política corrupta, ineficiente e predadora, sempre mais interessada em seus negócios do que nos rumos do país.

RECORDE DE GASTOS: em 2016, o Brasil teve o maior volume de déficit público da história. De um governo novo, fruto de um passe de mágica congressual, esperava-se mais recato e menos despudor. O que houve foi exatamente um governo nadando na contramão dos manuais de economia. Negociou a dívida dos estados, deu mais dinheiro a todos eles, utilizou-se de rubricas velhas e gastas (medidas contra a seca, por exemplo), vergou-se às chantagens habituais dos poderes para oferecer-lhes mais recursos e concedeu ou perenizou privilégios. Com isso alargou o rombo das contas públicas e produziu o maior desastre de todos: o monumental déficit público, verdadeira hecatombe financeira. As únicas medidas de redução ou cobertura de gastos foram anunciadas em áreas cujos recursos saem dos trabalhadores, da já massacrada classe média ou do aumento de impostos (quando não da falta de correção, por exemplo, nas tabelas do Imposto de Renda sobre Pessoas Físicas). Não há mais como esconder, o país está em mãos inadequadas, com gente incapaz de governar. Alguns membros do governo ou do Parlamento são mantidos em seus cargos apesar de sobre eles recair acusações e processos, cuja morosidade no julgamento, em tramitação na alta Corte, os deixam impunes e reincidentes. Contra esses desmandos fiscais, financeiros e morais, não há solução.

FALÊNCIA DOS SISTEMAS: qualquer que seja a denominação de sistema (penitenciário, prisional, financeiro, fiscal, previdenciário, preservacionista, sindical, legal, judiciário, sanitário, policial, educacional, etc., etc.), sempre há dúvidas sobre o correto funcionamento. Não que as leis que os formularam sejam todas ruins. Simplesmente, as más práticas tomaram de assalto todos eles e os deformaram ao longo do tempo. Muitas vezes, para o bom funcionamento de qualquer sistema ou instituição, há interdependência de funções e encargos. Se num elo dessa cadeia de situações há ineficiência ou descumprimento de obrigações, todo o sistema fica comprometido. Para dar um só exemplo, recente nos acontecimentos, mas existente por décadas de más práticas, vejamos o sistema penitenciário. Entrelaçadas aí estão funções do Judiciário (julgamento e aplicação de penas), do Executivo (construção e manutenção de presídios e administração do sistema prisional), do Legislativo (fiscalização e aperfeiçoamento legal). Nessas últimas décadas, o que vimos? Desintegração do sistema, crescimento do crime organizado, aumento da impunidade, corrupção em diversas partes dessa cadeia de responsabilidades, privatizações (certamente, com corrupção), aparecimento de facções criminosas (estas mais organizadas do que o Estado) e desídia generalizada. Isso só serviu para aumentar a violência nos presídios e nas ruas. Não há solução em curto prazo e nem esses governos que estão aí (do federal aos estaduais) têm competência para implementar as soluções. Estamos literalmente roubados!

CULTURA DO APERFEIÇOAMENTO: defendemos, como nas sociedades mais avançadas, a cultura do aperfeiçoamento. Todo sistema, instituição ou órgão público precisa, no andar da carruagem ou no decorrer de sua existência, aperfeiçoar-se para o melhor atendimento de seus objetivos. Assim é, por exemplo, o sistema previdenciário, cuja solução salta aos olhos: fim dos privilégios (com bem defendeu o presidente da UGT, Ricardo Patah), único e igual cobertor de proteção para civis e militares, trabalhadores públicos e privados, única e adequada forma de sustentação do pacto de gerações, administração dos recursos por aqueles que pagam (governo, empresários e trabalhadores) e, enfim, fim dos refis sistemáticos e punição exemplar daqueles que burlam o sistema. O aperfeiçoamento dessas instituições todas existentes no Brasil nos levaria, com o tempo, a um estágio de civilização. Por enquanto, vivemos na barbárie.

2017: com tudo o que temos ou o que vimos em 2016, resta esperar um 2017 sem grandes perspectivas. A economia continuará mal, haverá de novo déficit público, teremos queda no Produto Interno Bruto (PIB), aumento do desemprego e crescimento da informalidade, falência de municípios e estados e outras mazelas. Não será ainda em 2017 que melhoraremos as coisas e, talvez, nem mesmo nesta década. Serão mais três anos de dificuldades. O remédio para o Brasil é amargo e implica na redução drástica de gastos públicos, aumento da liberdade econômica, fim da burocracia e, em nosso caso, total reforma do Estado e de suas instituições. Novas legislações, como, por exemplo, a extremamente urgente e necessária reforma política. Enfim, muita coisa por fazer, mas isso, infelizmente, não foi possível com os governos passados, não será possível com este governo e, mantido o sistema político e partidário, nem mesmo no governo futuro. É o fim dos tempos. Desculpe o pessimismo!      

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Maia: reformas trabalhista e da Previdência devem ser aprovadas no primeiro semestre

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou nesta quinta-feira (5) que a reforma da Previdência (PEC 287/16) e a reforma trabalhista (PL 6787/16) serão aprovadas neste primeiro semestre para garantir a recuperação econômica do País. Segundo Maia, se as reformas não avançarem, o desemprego não vai parar de subir e o crescimento não vai voltar.

“Do meu ponto de vista [a reforma da Previdência] fortalece o direito dos trabalhadores e das famílias no longo prazo e, no curto prazo, vai dar um alívio enorme, com taxas de juros abaixo de 10% e vai facilitar da recomposição do endividamento das famílias e das empresas que é muito grande hoje”, destacou.

Rodrigo Maia também afirmou que a Câmara pode discutir projetos prioritários sobre segurança pública que estão tramitando na Casa em conjunto com os poderes Executivo e Judiciário. “Acho que nós podemos em conjunto, avaliando com todo cuidado por que passa essa crise Manaus, sob o comando do presidente Temer e [da presidente do Supremo Tribunal Federal] Carmem Lúcia construir uma agenda legislativa."

Maia negou que a eleição para a Mesa Diretora da Câmara, marcada para o dia 2 de fevereiro, possa atrapalhar a votação das reformas propostas pelo governo. Ele ressaltou que irá ajudar o Brasil em qualquer posição que ocupe após as eleições.

“Vai chegar a hora que vamos tomar essa decisão [de ser candidato] com o apoio necessário e um caminho que mantenha a harmonia na Casa e a possibilidade de ter um Plenário atuando e dialogando em um ambiente menos radicalizado, onde prevaleça o debate das ideias e não o conflito pessoal entre os parlamentares, que só atrapalhava o processo legislativo”, destacou.
Fonte: Agência Câmara