terça-feira, 19 de maio de 2026

Redução da jornada expõe fissura inédita na direita

 Em debate promovido pelo DIAP, relator da PEC que reduz a jornada para 40 horas afirma que proposta possui apoio majoritário entre jovens identificados com a direita e defende transição gradual, fortalecimento da negociação coletiva e votação ainda neste mês na Câmara


A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 entrou definitivamente no núcleo da disputa política nacional. E, segundo o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da PEC 221/19 na Câmara, o tema já produz inflexão inédita dentro do próprio campo conservador.


Durante a segunda edição do Diálogos DIAP on-line, realizada nesta sexta-feira (15), Prates afirmou que a proposta encontrou forte adesão justamente entre jovens que hoje se identificam majoritariamente com a direita.


“O movimento da redução da jornada, inacreditavelmente, é um movimento de direita no mundo”, afirmou o parlamentar, ao relacionar o debate brasileiro às transformações recentes no mercado de trabalho internacional e ao desgaste dos modelos de hiperprodutividade.


Segundo ele, pesquisas indicam que 82% da população entre 16 e 40 anos apoia o fim da escala 6x1. Justamente a faixa etária em que a direita consolidou maior influência política nos últimos anos.


“Essa é a primeira crise da direita com sua própria base”, afirmou.


O evento promovido pelo DIAP reuniu parlamentares, analistas políticos e especialistas em comunicação para discutir os principais temas legislativos e eleitorais que devem marcar o País até o fim de 2026. Participaram também o deputado André Figueiredo (PDT-CE), relator da regulamentação da negociação coletiva no serviço público; Hajj Mangolin, da Amangolin Comunicação e Estratégia; e Antônio Augusto de Queiroz, consultor do DIAP.


PEC enxuta e votação ainda em maio

Leo Prates indicou que o texto da proposta deverá ser propositalmente enxuto para reduzir resistências políticas e evitar conflitos interpretativos.


A ideia central é alterar o artigo constitucional que fixa a jornada semanal, reduzindo o limite de 44 para 40 horas e ampliando o descanso semanal para 2 dias de folga, preservando a redação atual da Constituição em diversos pontos para minimizar impactos jurídicos e econômicos.


Segundo o deputado, o objetivo é mexer apenas nos “direitos fundamentais”, deixando especificidades setoriais para leis ordinárias e negociações coletivas.


“O sistema de trabalho brasileiro é mais complexo que o sistema tributário”, afirmou, citando o excesso de normas, regulações específicas e convenções coletivas existentes no País.


O parlamentar também confirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula acordo com o governo federal para acelerar a tramitação da matéria.


A previsão apresentada durante o debate é de que a primeira versão do parecer seja divulgada dia 20. A comissão especial deve concluir a votação até o dia 26, com expectativa de análise em plenário dia 27.


Prates classificou o processo como “o mais participativo da história da Câmara”, destacando audiências públicas e debates realizados em diferentes estados.

 

Regra de transição se torna principal impasse político

O principal ponto ainda indefinido da proposta é a eventual criação de regra de transição para adaptação das empresas ao novo modelo de jornada. Segundo o relator, a decisão será construída entre o governo federal e a presidência da Câmara nos próximos dias.


Embora tenha evitado antecipar o formato final do texto, Prates defendeu pessoalmente a transição entre 2 e 5 anos, e rejeita propostas mais longas. “10 anos é para quem não quer que a medida entre em vigor”, declarou.

 

O deputado também argumentou que qualquer regra de transição precisa trazer benefícios imediatos aos trabalhadores. Entre as hipóteses debatidas, mencionou a possibilidade de redução progressiva da jornada já nos primeiros 120 dias após aprovação da PEC.


A proposta em discussão prevê ainda vedação explícita à redução salarial durante a implementação das mudanças.


Negociação coletiva ganha centralidade no novo modelo

Outro eixo central defendido pelo relator é o fortalecimento das convenções coletivas para acomodar particularidades de cada categoria profissional.


Prates afirmou que legislação excessivamente rígida poderia gerar distorções em setores específicos, citando como exemplo profissionais da aviação, cujas jornadas operacionais ultrapassam 8 horas em voos internacionais.


A ideia em discussão é estabelecer parâmetros gerais constitucionais — como jornada máxima e número mínimo de folgas — e permitir que sindicatos e categorias negociem formatos mais flexíveis de escala.


O parlamentar também defendeu maior sensibilidade social nas negociações trabalhistas, mencionando situações de mães atípicas e trabalhadores que necessitam de escalas diferenciadas para conciliar cuidados familiares e emprego.


“O fortalecimento das convenções coletivas é um caminho”, afirmou.


Debate sobre trabalho se conecta à disputa eleitoral de 2026

Além da tramitação legislativa, o encontro do DIAP evidenciou que o debate sobre jornada, escala e qualidade de vida no trabalho já ultrapassou os limites sindicais tradicionais e passou a dialogar diretamente com o cenário eleitoral de 2026.


A leitura apresentada pelos participantes indica que o tema reúne forte potencial de reorganização política, especialmente entre jovens trabalhadores precarizados, empregados do setor de serviços e profissionais submetidos a jornadas extensas.


Ao mesmo tempo, o avanço da PEC expõe tensões dentro do empresariado, da direita e do próprio governo, que tentam equilibrar pressão social, impacto econômico e sustentabilidade fiscal.


Mais do que discussão técnica sobre horas trabalhadas, o debate passou a simbolizar disputa maior sobre produtividade, tempo de vida, proteção social e o futuro das relações de trabalho no Brasil.

Fonte: Diap

Centrais intensificam pressão em Brasília

 As Centrais Sindicais convocam trabalhadores de todo o país para grande ato em Brasília nos dias 26 e 27 de maio. A manifestação visa garantir a aprovação da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e o fim da escala 6×1.


A mobilização é um momento decisivo, porque no dia 26 de maio ocorre a votação na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. No dia 27 de maio, a matéria vai a plenário. Diversas ações acontecerão simultaneamente, com seminários, plenárias estaduais e forte pressão nos gabinetes parlamentares.


A campanha vem ganhando força desde 1º de Maio de 2026 e se intensificou com o Seminário realizado em São Paulo, dia 14, na sede da Força Sindical. A estratégia tem diversas ações articuladas pelas lideranças sindicais, como envio massivo de mensagens a deputados, diálogos diretos nos gabinetes, pressão presencial em Brasília e forte campanha nas redes sociais. Uma cartilha elaborada pelo Dieese também está sendo amplamente divulgada.


Causa justa – As Centrais Sindicais defendem a aprovação por acreditarem ser uma conquista importante aos trabalhadores. O fim da escala 6×1 combate a exaustão e o adoecimento dos trabalhadores, garantindo a todos o direito a dois dias consecutivos de descanso remunerado. A redução da jornada melhora a qualidade de vida, a saúde mental, o tempo com a família e o lazer. As mulheres são as mais prejudicadas pela jornada atual e serão as que mais se beneficiarão com a mudança.


“Temos, hoje, dez para a votação para debater no Congresso, as Centrais Sindicais estarão dialogando na semana para mobilizar as bases, e os dirigentes estarão em Brasília. A audiência na sede da Força Sindical no dia 14 foi importante. Nós temos que ter políticos junto com a nossa causa”, declarou João Carlos Gonçalves (Juruna), Secretário Geral da Força Sindical.


Empregos – A medida deve gerar mais empregos, pois as empresas precisarão de novas contratações para cobrir as horas reduzidas.


Entre as propostas em tramitação está a PEC 221/2019, que altera a Constituição Federal e oferece o caminho mais duradouro para a redução da jornada. A PL 1838/2026 do governo Lula, em regime de urgência, altera a CLT, fixa a jornada em 40 horas semanais, proíbe a redução salarial e praticamente extingue a escala 6×1.


Apoio – De acordo com pesquisa Datafolha de 2026, 71% da população apoia a redução da jornada e o fim da escala 6×1. O apoio é ainda maior entre mulheres (77%) e jovens (83%).


As Centrais Sindicais reforçam o chamado: a presença massiva de trabalhadores em Brasília nos dias 26 e 27 é fundamental para pressionar os deputados e transformar em lei essa reivindicação histórica dos trabalhadores.

Fonte: Agência Sindical

Trabalhadores por conta própria têm jornada média de 45 horas semanais

 O vice-líder do governo no Congresso, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), avalia que o discurso do “seja seu próprio patrão”, virou armadilha


Os trabalhadores por conta própria possuem em média uma jornada de 45 horas semanais, o que supera em mais de cinco horas os empregados dos setores privado e público.


Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira (14) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral.


Segundo o levantamento, no primeiro trimestre de 2026, a população ocupada é estimada em 102 milhões de pessoas.


Desse total, 69,2% de empregados (incluindo empregados domésticos), 4,1% de empregadores, 25,5% de pessoas que trabalharam por conta própria e 1,2% de trabalhadores familiares auxiliares.


Nas regiões Norte (27,9%) e Nordeste (27,2%), o percentual de trabalhadores por conta própria era superior ao verificado nas demais regiões.


O IBGE classifica o trabalhador por conta própria como a pessoa que gere seu próprio negócio, de forma individual ou com sócios, mas sem contratar funcionários.


Por exemplo, são autônomos que exercem trabalhos como motoristas e entregadores de aplicativos.


O vice-líder do governo no Congresso, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), avalia que o discurso do “seja seu próprio patrão”, virou armadilha.


“A pejotização e a uberização estão escondendo jornadas de 45h semanais sem direitos ou seguridade. É exploração pura! Não dá mais! É urgente discutir e votar o projeto que regulariza esses trabalhos”, defende o líder.


O analista da pesquisa, William Kratochwill, diz que os trabalhadores classificados como empregados não ultrapassam, na média, os limites máximos de jornada por causa de proteções trabalhistas.


A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que a jornada máxima de trabalho semanal é de 44 horas, limitadas a oito horas por dia, sendo permitidas até duas horas extras diárias.


Há exceções como a escala de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, comum em categorias como a dos profissionais da saúde.


“Mesmo que o trabalhador não seja formalizado, há uma tendência do mercado de seguir o padrão da lei”, diz Kratochwill.

 

Com informações da Agência Brasil

Fonte: Portal Vermelho

TST abre prazo para manifestações sobre momento de juntada de documentos a ações trabalhistas

 


Tema é tratado em incidente de recurso repetitivo


O ministro Fabrício Gonçalves, do Tribunal Superior do Trabalho, publicou edital para convocar pessoas, órgãos e entidades interessados a se manifestar sobre a possibilidade de juntada de documentos numa ação trabalhista depois da apresentação da defesa. A controvérsia jurídica será analisada pelo Pleno da Corte no IncJulgRREmbRep–0000213-62.2023.5.12.0059.


O edital fixa prazo de 15 dias úteis para que interessados enviem manifestações. Nesse período, também poderão ser requeridos pedidos de ingresso no processo na qualidade de amici curiae.


Leia a íntegra do edital.


A decisão do TST terá efeito vinculante sobre casos semelhantes em todo o país, uma vez que o julgamento ocorre sob a sistemática dos recursos repetitivos.


A questão jurídica em discussão é a seguinte:


“É possível a juntada de documentos em momento posterior ao da apresentação da defesa, desde que até o encerramento da instrução probatória?”


Em setembro do ano passado, o Pleno acolheu proposta de submissão do tema à sistemática dos recursos repetitivos. O TST tem jurisprudência pacífica sobre a possibilidade de estender o prazo para a juntada de documentos pelas partes até o encerramento da instrução processual, ainda que não se trate de documentos novos. Contudo, a decisão de firmar tese vinculante sobre o tema leva em conta a grande quantidade de recursos por divergências provenientes dos Tribunais Regionais do Trabalho, somada à patente relevância da matéria.


Confira todos os editais em andamento.

Fonte: TST

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Comissão especial debate redução da jornada de trabalho sob perspectiva dos empregadores

 A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o fim da escala 6x1 no Brasil (PEC 221/19) debate, nesta segunda-feira (18), os limites e as possibilidades para a redução da jornada de trabalho sob a perspectiva dos empregadores.


A audiência pública será realizada às 16 horas, no plenário 2.


O debate atende a requerimentos apresentados por diversos deputados. O objetivo é reunir contribuições sobre os impactos econômicos, sociais e produtivos da redução da jornada de trabalho, além de discutir as condições para implementação da medida sem redução salarial.


"A centralidade da redução da jornada, em momento de mudanças do modo produtivo contemporâneo, com incremento da produtividade pela automação e incorporação de novas tecnologias, inclusive os impactos da inteligência artificial, é assunto essencial aos parlamentares na formação do convencimento antes da deliberação sobre a matéria objeto desta Comissão Especial", afirma o deputado Fernando Mineiro (PT-RN), autor de um dos requerimentos.

Fonte: Agência Câmara

Incertezas pressionam aumento na cesta básica

 Instabilidade internacional, guerra entre EUA e Irã, oscilações no preço dos derivados do petróleo (até devido à privatização da BR Distribuidora), eventos climáticos, tudo somado e mais alguma coisa, eleva os preços dos itens da cesta básica. O resultado são dois meses consecutivos de aumento, março e abril.


A pesquisa, tradicionalmente realizada pelo Dieese desde 2024, é feita em conjunto com a Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, como contribuição à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento Alimentar.


A pesquisa foi ampliada para todas as 27 Capitais – eram 17 até agosto de 2025.


Variações – O levantamento conjunto mostra que, entre março e abril de 2026, os aumentos maiores ocorreram em Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%) e Cuiabá (4,97%).


São Paulo é a Capital onde o conjunto dos alimentos apresenta maior custo (R$ 906,14).


Em 12 meses, entre abril de 2025 e abril de 2026, o custo da cesta ficou maior em 18 Capitais e menor em nove. Cuiabá lidera a alta, 9,99%.


Dieese – Patrícia Lino Costa, economista do Dieese, coordena a pesquisa. Ela aponta múltiplos fatores na elevação dos preços. Patrícia diz: “Tem a guerra, mas não explica tudo. A privatização da distribuição do petróleo faz oscilar os preços conforme o mercado. Tem influência de fatores climáticos. A exportação recorde da carne eleva seu preço interno. Já a produção do leite atravessa um período de entressafra”.


Sindicalismo – As negociações têm estado atentas à questão dos preços da cesta básica. Muitos acordos coletivos obtêm aumentos salariais mais próximos ao INPC, porém ampliam os índices quando se trata de vale-refeição ou vale-alimentação.


Mais – Site do Dieese.

Fonte: Agência Sindical

Número de pessoas em busca de emprego há dois anos ou mais cai 21,7%

 Cerca de 1 milhão procuram emprego há dois anos ou mais


O número de pessoas que buscam emprego há dois anos ou mais caiu 21,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Esse contingente representa 1,089 milhão de pessoas, o menor já registrado desde 2012, quando começou a série histórica da principal pesquisa sobre mercado de trabalho no país.


Em 2025, o país tinha quase 1,4 milhões de pessoas que estavam há pelo menos 24 meses tentando uma ocupação. Já o maior nível foi em 2021, ano de pandemia de covid-19, com 3,5 milhões.


Os recordes fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O patamar mínimo de pessoas à procura de trabalho também se reflete em outras duas faixas temporais.


- de mais de um mês a menos de um ano: 3,380 milhões de pessoas em busca de vaga, recuo de 9,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Nessa faixa, o maior volume foi 7 milhões, em 2021.


- de mais de um ano a menos de dois anos: 718 mil pessoas procuravam emprego, redução de 9% se comparado a 2025. O maior patamar pertence também a 2021, quando eram 2,6 milhões de pessoas nessa situação.


A única faixa temporal que não apresenta recorde mínimo é a de menos de um mês procurando vaga. De janeiro a março o país tinha quase 1,4 milhão de pessoas nessa situação. Esse patamar fica 14,7% abaixo do registrado no ano passado, mas acima do nível de 2014 (1,016 milhão).


A pesquisa do IBGE detalhou o contingente dos 6,6 milhões de desocupados do país nas faixas de tempo de procura:

- Menos de um mês: 21,2% dos desocupados

- Um mês a menos de um ano: 51,4%

- Um ano a menos de dois anos: 10,9%

- Dois anos ou mais: 16,5%

 

Matéria completa: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/numero-de-pessoas-em-busca-de-emprego-ha-dois-anos-ou-mais-cai-217

 

Fonte: Agência Brasil

Consulta do saldo do FGTS disponível para o Novo Desenrola começa em 25 de maio

 A medida permitirá o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia ou até R$ 1 mil - o que for maior - para amortização ou quitação de dívidas em atraso


O Ministério do Trabalho anunciou nesta quinta-feira, 14, que os trabalhadores poderão consultar o saldo disponível do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ser utilizado no Novo Desenrola a partir de 25 de maio. A medida permitirá o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia ou até R$ 1 mil – o que for maior – para amortização ou quitação de dívidas em atraso.


Após a consulta do saldo, as instituições financeiras terão um prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos com os trabalhadores e registrar as informações nos sistemas da Caixa Econômica Federal. Após a validação do contrato, a Caixa fará a transferência direta do valor do FGTS à instituição financeira.


A estimativa é de que até R$ 8,2 bilhões do FGTS possam ser utilizados para renegociação de dívidas por meio do programa.


Segundo a Pasta, a Caixa Federal está finalizando a integração dos sistemas e iniciando os testes operacionais.


Na terça-feira, 13, foi disponibilizado às instituições financeiras o swagger, documento que reúne as regras e especificações técnicas da API que será utilizada no processo.


Saque adicional

No dia 26 de maio, mais de 10,5 milhões de trabalhadores receberão em suas contas os valores complementares. O governo editou uma medida provisória que autorizou o saque do FGTS para trabalhadores optantes pelo saque-aniversário que foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025.


Para esse público, será liberado um desbloqueio adicional estimado em R$ 8,4 bilhões, com depósito automático nas contas cadastradas no aplicativo do FGTS. Permanecerão bloqueados apenas os valores vinculados a operações de antecipação do saque-aniversário contratadas junto às instituições financeiras, conforme as condições previstas em cada contrato.


O Ministério do Trabalho alerta que, antes do dia 25 de maio, os valores que serão creditados aos trabalhadores deixarão de aparecer no saldo disponível das contas do FGTS, em razão do processamento da operação.

Fonte: Estadão Conteúdo

STF valida constitucionalidade da Lei de Igualdade Salarial entre mulheres e homens

 Por unanimidade, ministros do Supremo Tribunal Federal confirmam mecanismos de transparência e fiscalização que garantem o direito a salários iguais para funções equivalentes, fortalecendo a autonomia econômica das mulheres


O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta quinta-feira (14/5), a constitucionalidade da Lei nº 14.611/2023, que estabelece a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens no Brasil. A decisão, tomada de forma unânime pelo plenário, rejeita os questionamentos feitos contra a norma e reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a justiça de gênero no ambiente organizacional.


O relator das ações, ministro Alexandre de Moraes, foi acompanhado pelos demais ministros ao validar os mecanismos previstos na lei, como a transparência salarial e o rigor na fiscalização. A decisão ocorre no âmbito do julgamento de ações que buscavam assegurar a aplicação plena da norma, contrapondo-se a tentativas de invalidar seus dispositivos fundamentais.


Segurança jurídica para a igualdade

Para o Ministério das Mulheres, a decisão do Supremo é uma vitória da democracia e da cidadania. A igualdade salarial é um pilar central e, além de ser uma das frentes de atuação da Pasta, é um caminho de fortalecimento para a autonomia econômica das mulheres, permitindo que elas tenham condições dignas de sustento e desenvolvimento profissional.


Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, os dados que foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no último Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, demonstram que a desigualdade entre homens e mulheres no ambiente corporativo ainda é grande. De acordo com ela, mulheres em mesmas condições de carreira que homens recebem, em média, 21,3% a menos do que os homens, em empresas privadas com 100 ou mais empregados.


Com a validação do STF, o Brasil consolida um marco legal essencial para avançar no enfrentamento à desigualdade histórica das mulheres no mercado de trabalho. Por isso, ampliar o debate sobre a de Lei de Igualdade Salarial, aumentar a transparência dos dados e informações e mitigar as estratégias empresariais para impedir o acesso são tão importantes.


Joana Passos, secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, do Ministério das Mulheres, a validação da Lei pelo STF vai além de uma pauta trabalhista, mas é também a garantia de um direito que beneficia milhões de trabalhadoras.


“A aprovação da constitucionalidade Lei da Igualdade Salarial pelo STF é mais que uma pauta trabalhista, é a afirmação de um direito e de uma mudança estrutural na sociedade para 52% da população brasileira. Para contribuir com a aplicabilidade da Lei, construímos um conjunto de diretrizes para que as empresas elaborem seus planos de mitigação das desigualdades salariais”, explicou.


O que diz a Lei

A norma, validada pela Corte, estabelece que empresas com 100 ou mais empregados devem publicar relatórios semestrais de transparência salarial, ampliar a fiscalização contra a discriminação salarial, exigir planos para mitigar a desigualdade caso sejam detectadas disparidades e estimular a criação de canais específicos para denúncias de discriminação.

Fonte: Ministério das Mulheres

Emprego formal cresce 5% em 2025 e estoque de vagas chega a 59,9 milhões

 Dados da Rais apontam criação de 2,8 milhões de novos postos de trabalho no último ano


O Brasil encerrou o ano de 2025 com 59,9 milhões de vínculos de emprego formal ativos, um crescimento de 5% em relação ao ano anterior. Os dados constam na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ao todo, foram criadas 2,8 milhões de novas vagas no período, englobando os setores público e privado.


O levantamento detalha que o setor privado segue como o maior empregador do país, somando 40 milhões de vínculos (66,8% do total). Já o setor público alcançou 14,1 milhões de postos (23,6%), impulsionado pela realização de concursos federais, estaduais e, principalmente, municipais. As organizações sem fins lucrativos respondem por 6,6% das vagas.


Em ritmo de crescimento percentual, o setor de serviços aparece na liderança com alta de 7,2%. O comércio aparece em segundo lugar, com variação de 1,7%, seguido por Indústria, com 1,7%.


Quanto à natureza das contratações, os vínculos “não típicos” entre os celetistas, concentrados principalmente em trabalhadores com jornadas reduzidas de até 30 horas, representaram 10,68% do total. O índice demonstra estabilidade frente ao ano anterior (10,75%).


A expansão do mercado de trabalho formal ocorreu de forma mais intensa nas regiões Norte e Nordeste, ambas com crescimento relativo de 10,1%. O estado do Amapá liderou o ranking nacional com uma alta de 20,5% em seu estoque de empregos.


Em variação absoluta, o estado de São Paulo manteve a liderança com 357 mil novos vínculos, seguido pela Bahia (266 mil) e Minas Gerais (224 mil).


Desde 2023, o país acumula a geração de 7,8 milhões de postos com carteira assinada.

Fonte: Brasil de Fato

Comissão acolhe proposta que direciona multas do FGTS ao empregado

 Sugestão aprovada na CDH também obriga repasse de correção monetária e lucros do fundo ao trabalhador.


A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou a sugestão legislativa 16/2025, que prevê o repasse direto aos trabalhadores das multas e encargos cobrados de empresas por atraso ou ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).


Com a aprovação no colegiado, a proposta será convertida em projeto de lei e enviada à Presidência do Senado para tramitação nas comissões temáticas da Casa.


A sugestão foi apresentada pelo Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) e altera a Lei do FGTS para determinar que os valores arrecadados com multas por irregularidades nos depósitos sejam creditados diretamente na conta vinculada do trabalhador prejudicado, em vez de integrarem o patrimônio geral do fundo.


A proposta prevê que as empresas que atrasarem ou deixarem de recolher o FGTS também terão de repassar ao empregado os valores referentes à distribuição de resultados do fundo relativos ao período da irregularidade.


O texto ainda estabelece que o empregador responderá pela aplicação da Taxa Referencial (TR), índice utilizado na correção monetária do FGTS, além da parcela correspondente aos lucros obtidos pelo fundo durante o período em que houve falha nos depósitos.


A proposta esclarece que esses valores adicionais (multas, correção monetária e encargos) não serão considerados no cálculo de outras indenizações trabalhistas, como a multa de 40% paga em demissões sem justa causa.


Segundo o IFGT, a medida busca garantir maior proteção ao patrimônio dos trabalhadores. Para o instituto, os recursos do FGTS pertencem aos empregados e, por isso, as penalidades aplicadas em casos de irregularidade deveriam beneficiar diretamente os titulares das contas.

Fonte: Congresso em Foco