quarta-feira, 9 de março de 2016

Ataques ao movimento sindical à vista

Precisam, igualmente, ter a convicção de que a instituição sindical, como instrumento de defesa dos direitos e interesses da coletividade, em geral, e da classe trabalhadora, em particular, é um dos pilares da democracia e dispõe de uma série de poderes e prerrogativas que a credencia como um ator relevante no cenário político, econômico e social do País.

Antônio Augusto de Queiroz*

O movimento sindical precisa se preparar para enfrentar a campanha de desqualificação que as forças conservadoras estão articulando com o propósito de enfraquecê-lo e desmoralizá-lo como força política e também como instrumento de representação legítima da classe trabalhadora.

O propósito de desqualificar o movimento, enquanto força política, é o de neutralizar a capacidade de influência das entidades sindicais no processo eleitoral, especialmente após o fim do financiamento empresarial de campanha, que faz de entidades associativas, com poder de mobilização e liderança sobre determinadas classes, um ativo fundamental nesse novo contexto político.

Para atingir esse objetivo vão utilizar a grande imprensa, o Ministério Público e o Congresso. A imprensa será a responsável por publicar denúncias envolvendo entidades e lideranças sindicais. O Ministério Público será acionado para fiscalizar e auditar as entidades, especialmente em relação ao uso dos recursos oriundos da contribuição sindical compulsória. E o Congresso para instalar Comissões Parlamentares de Inquéritos para expor negativamente ou criminalizar a atividade sindical.

Já o questionamento da representação classista tem por objetivo enfraquecer as entidades e suas lideranças, tanto no enfrentamento às mudanças no mundo do trabalho – como a flexibilização da legislação, a terceirização na atividade-fim e a pejotização – quanto nos processos de livre negociação, já sem a prevalência da lei sobre o acordo ou convenção coletiva.

Para reduzir a resistência das entidades sindicais às mudanças na legislação vão se valer – além da tática de amedrontar os trabalhadores com o fantasma da crise econômica e do elevado desemprego – de personagens como Ives Gandra Filho, atual presidente do Tribunal Superior do Trabalho, de ministros bem posicionados no Governo, como Kátia Abreu, no Ministério da Agricultura, e Armando Monteiro, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além da forte bancada empresarial no Congresso.

No caso do TST, a tática passa por mudanças nos enunciados do tribunal, como o que trata da indenização por dano moral. No caso dos ministros, a proposta é pressionar o Governo por mudanças nas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, sob o fundamento de que dificultam a produtividade e a competitividade das empresas. E no Congresso passa por apresentar projetos de lei mudando a CLT, emendas a medidas provisórias com essa finalidade e projetos de decreto legislativo sustando portarias e normas regulamentadoras que criem obrigação para o empregador.

Portanto, o argumento central para mudança na legislação será de que, na recessão, as empresas só poderão preservar os empregos se liberadas do cumprimento de algumas obrigações trabalhistas. Assim, na lógica traçada, a entidade sindical que não concordar com mudanças que permitam ao trabalhador abrir mão de alguns direitos, ainda que temporariamente, estará indo contra o interesse do empregado, porque forçará a sua demissão.

Em relação às entidades e lideranças, o argumento é de que as entidades arrecadam compulsoriamente de seus representados e não os representam adequadamente, além de desviar recursos para finalidades alheias à defesa do trabalho, como supostamente nepotismo, regalias, super-salários e uso da estrutura para fins políticos eleitorais, entre outros.

As lideranças sindicais, para fazer esse enfrentamento, precisam ter clareza de que as entidades sindicais são uma das principais conquistas do processo civilizatório, de um lado, porque contribuem para distribuir renda de forma pacífica, e, de outro, porque organizam e dão suporte político e associativo aos trabalhadores.

Precisam, igualmente, ter a convicção de que a instituição sindical, como instrumento de defesa dos direitos e interesses da coletividade, em geral, e da classe trabalhadora, em particular, é um dos pilares da democracia e dispõe de uma série de poderes e prerrogativas que a credencia como um ator relevante no cenário político, econômico e social do País.

Entre esses poderes e prerrogativas das entidades sindicais, destacam-se: 1) o poder de estabelecer ação regulatória por via dos instrumentos normativos, 2) a força de restringir ou condicionar a liberdade patronal na contratação e definição de condições de trabalho, 3) a garantia de autotutela do próprio interesse, 4) o reconhecimento de certo poder extra-legal, como os fixados em acordos e convenções coletivas que celebra, os quais têm força de lei, 5) o poder de atuar como substituto processual, e 6) a prerrogativa de ingressar no Supremo Tribunal Federal com ação direta de inconstitucionalidade.

Logo, não podem as lideranças sindicais, em hipótese alguma, prescindir desse instrumento de defesa dos direitos e interesses da classe trabalhadora. A continuidade dessa instituição, entretanto, depende de credibilidade e legitimidade de seus dirigentes, cuja missão é representar, organizar, mobilizar, defender os direitos e interesses e educar o trabalhador para a cidadania.

Assim, para que as forças conservadoras não encontrem eco em seu discurso, é fundamental que as entidades sindicais sempre se pautem por boas práticas no exercício dos poderes e prerrogativas legais e extra-legais inerentes a elas. Essa é a condição para a preservação e fortalecimento dessa conquista importante do processo civilizatório, que é a organização do movimento sindical.

(*) Jornalista, analista político e Diretor de Documentação do Diap.
Fonte: Diap

CDH: audiência sobre reforma previdenciária será no dia 27 de abril

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) começou a organizar a audiência pública para debater a reforma previdenciária proposta pelo governo. As primeiras decisões foram tomadas em uma reunião de trabalho na tarde desta terça-feira (8) entre o presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), e representantes de entidades de classe.

As entidades sugeriram à CDH formular requerimentos para pedir ao governo informações sobre a situação contábil da Previdência Social, com dados sobre renúncia e sonegação. Também ficou decidido que o debate será realizado no dia 27 de abril. Para Paim, a audiência servirá para “terminar com a farsa do déficit da Previdência”.

— Vamos aprofundar o debate e mostrar que a Previdência é superavitária. É só combater a sonegação, a roubalheira e a fraude — declarou.
Fonte Agência Senado

"Temos que consolidar e ampliar os direitos das mulheres", diz Dilma no Twitter

A presidenta Dilma Rousseff disse nesta terça-feira (8), no Dia Internacional da Mulher, que é preciso consolidar e ampliar os direitos das mulheres. “Nos últimos 13 anos, o governo tem tido como prioridade a questão de gênero e a garantia dos direitos das mulheres”, escreveu, em sua conta no Twitter.

Ela lembrou que há um ano sancionou a Lei do Feminicídio. “Desde então, o assassinato de mulheres decorrentes de violência doméstica ou discriminação de gênero é crime hediondo”, acrescentou.

Dilma também destacou que a Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, “marco da luta contra a violência que recai contra a mulher”, é reconhecida internacionalmente.

“No Dia Internacional da Mulher, meu abraço carinhoso a todas as brasileiras que lutam diariamente para criar seus filhos, para ter uma profissão, para se afirmar como pessoa e construir um país mais igual e mais justo”, escreveu Dilma.

A presidenta vai assinar, nesta tarde, no Palácio do Planalto, a portaria interministerial que institui as diretrizes para a implementação da Lei nº 13.239 que dispõe sobre a realização de cirurgias reparadoras de sequelas causadas por atos de violência contra a mulher pelo Sistema Único de Saúde.
Fonte: Agência Brasil

Lei que amplia licença-paternidade para 20 dias é sancionada

O governo federal sancionou a lei que cria a Política Nacional Integrada para a Primeira Infância e estabelece marco regulatório com uma série de direitos voltados para crianças de até 6 anos de idade.

O texto, aprovado no início do mês passado pelo Senado Federal, foi sancionado sem vetos pela presidenta Dilma Rousseff nesta terça-feira (8). O principal avanço da legislação é o aumento da licença-paternidade dos atuais cinco dias para 20 dias.

Por enquanto, o aumento da licença não será obrigatório para todos, mas apenas para as empresas que aderirem ao programa Empresa Cidadã, que também possibilita o aumento da licença-maternidade para seis meses. A licença-paternidade de 20 dias também valerá para adoção.

O marco legal também prevê identificação e prevenção dos casos de violência contra gestantes ou crianças, em mecanismo semelhante aos já adotados em outros países, por meio do sistema de saúde.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 4 de março de 2016

UGTpress: ANORMALIDADE GLOBAL

ANORMALIDADE GLOBAL: o professor Nouriel Roubini, considerado o "profeta do apocalipse" por ter previsto a crise de 2008, advertiu sobre novas "anormalidades" na economia global. Desde o início deste ano, diz ele, enfrentamos uma "severa instabilidade nos mercados financeiros", decorrente de vários fatores: inquietações na China; preocupação com o crescimento dos Estados Unidos; temores no Oriente Médio, especialmente em relação à Arábia Saudita e Irã; queda demasiada nos preços do petróleo e das commodities. Acrescenta outras tendências como falta de liquidez e alto endividamento das companhias de energia e fundos soberanos das economias exportadoras de petróleo, a ameaça crescente de saída da economia britânica do âmbito da União Europeia e tendências de baixo crescimento para a economia mundial. Seu artigo, escrito para o Project Syndicate e republicado pela Folha de São Paulo (05/02/2016), informa a queda no crescimento dos países em desenvolvimento e emergentes; elevação da dívida pública e privada desses mesmos países e o visível esforço dessas economias para a redução de suas dívidas. Uma curiosidade no que o professor Roubini escreveu refere-se à volta das medidas monetárias heterodoxas, um caminho que parece ser o preferido do novo ministro da Fazenda do Brasil, Nelson Barbosa.
DESIGUALDADE: o sociólogo Pedro Pereira de Souza, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), observou os dados históricos da desigualdade no Brasil e notou que, embora muita coisa tenha mudado nesses praticamente 100 anos, o Brasil continua mantendo os mesmos índices deploráveis de concentração de renda. "O bolo cresceu, mas não foi dividido. Com alguns pressupostos, pode se estimar que a fração da renda recebida pelo 1% mais rico oscilou entre 20% e 25% durante boa parte do tempo" (Folha de São Paulo, 03/02/2016). Há constatações curiosas feitas pelo sociólogo: houve aumento expressivo da desigualdade nos primeiros anos das duas ditaduras do século 20 (Estado Novo e ditadura militar); a queda mais prolongada da desigualdade ocorre nos anos 1950 durante o governo de Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Por fim, ele diz "esperar que o crescimento puro e simples resolva nossa questão distributiva não funcionou no passado e dificilmente funcionará no futuro" (idem, idem).
RIACHUELO CONDENADA: a indústria de roupas do Grupo Riachuelo, Guararapes Confecções, foi condenada a pagar uma pensão vitalícia a uma costureira lesionada em virtude das atividades exercidas na empresa. Segundo André Campos e Ana Aranha, do Repórter Brasil, "a ex-funcionária desenvolveu Síndrome do Túnel do Carpo, que provoca dores e inchaços nos braços. A ação aponta que a trabalhadora teve a sua capacidade laboral diminuída devido ao ritmo de trabalho exaustivo demandado pela fábrica potiguar, onde são confeccionadas peças de roupa vendidas pelas lojas da Riachuelo".
A SENHORA DE UM TRILHÃO: numa analogia interessante, o professor Paulo Rabello de Castro (PH.D da Universidade de Chicago e autor do livro "O mito do governo grátis") traça um paralelo entre a curiosidade despertada pelos acumuladores de ativos, gente que se deu bem em algum ramo de atividade, inclusive ilícitas e aqueles que sem despertarem qualquer curiosidade acumulam enormes passivos. Dentre esses, tanto Rabello quando Mônica de Bolle, ambos em artigos no jornal "O Estado de São Paulo" (23-01 e 03-02-2016), apontam para a presidente Dilma Rousseff fazendo uma pergunta, no mínimo, incômoda: "Quanto nos custou a atual presidente do Brasil?". Há várias formas de responder a essa pergunta e ambos os articulistas citam algumas, todas com resultados assustadores, a ponto de afirmarem que a presidente brasileira pode figurar no livro dos recordes (Guinness) e ser considerada a pessoa que mais produziu prejuízos à sociedade brasileira. Os cálculos de ambos são complicados e não são considerados os pormenores e a natureza especial da situação vivida ou herdada pela presidente, mas chegam a inacreditáveis um trilhão de reais.   
ATUALIDADES - O IMBRÓGLIO DELCÍDIO DO AMARAL: parece que não há dúvida, Delcídio do Amaral, senador do Partido dos Trabalhadores (PT) pelo Mato Grosso do Sul, realmente tenta fazer um acordo de delação premiada e o depoimento vazado para a Revista Isto É foi considerado verídico pelos meios de comunicação. O documento publicado foi confirmado pela Folha de São Paulo, Estadão e Globo. O principal conteúdo (afirmações ainda sem provas materiais) é colocar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a atual presidente Dilma Rousseff no âmbito do escândalo da Operação Lava Jato. Nas primeiras horas após a revelação do documento, a estratégia da situação foi desqualificar o senador. A presidente condenou "os vazamentos de depoimentos como arma política". As revelações e vazamentos são condenáveis à medida que deveriam estar protegidos pelos principais órgãos investigativos da República, mas não descaracterizam sua autenticidade. O PSDB, que tem muitos de seus quadros sob suspeita, concentrou fogo também sobre o senador procurando meios para cassar seu mandato, mas limitando-se através de alguns líderes a pedir a anexação do depoimento no processo de impeachment de Dilma Rousseff. São unânimes as opiniões de que a situação política agravou-se. Com a divulgação do PIB, a situação econômica apresentando queda de quase quatro por cento é outro complicador. Não há revisão de solução da situação econômica ou política em futuro imediato. As centrais sindicais de trabalhadores do Brasil devem se reunir na próxima semana para examinar a situação.   

terça-feira, 1 de março de 2016

UGTpress: COMPANHIAS AÉREAS

COMPANHIAS AÉREAS: as companhias aéreas brasileiras têm operado no vermelho, especialmente depois da alta do dólar que agravou a situação. O governo pensa em aumentar o limite de participação estrangeira no capital dessas empresas, hoje em 20%. Um dos argumentos mais sólidos a favor desta medida é que os aeroportos nacionais já possuem participação estrangeira ilimitada. Segundo os observadores, a trava para a participação estrangeira vem do tempo da ditadura, quando as aeronaves das companhias aéreas constituíam arsenal de reserva da Aeronáutica e, portanto, se julgava o setor estratégico para a defesa nacional. O maior consenso entre os ministérios envolvidos na discussão é que o limite passe a 49% do capital, permanecendo ainda mais da metade em mãos nacionais. De qualquer forma, não há dúvida que atualmente as companhias aéreas brasileiras já não detêm mais o monopólio dos vôos internacionais, como à época da então poderosa Varig. Certamente, a abertura vai propiciar o avanço das companhias americanas e chinesas. Exemplos já existem: recentemente a Azul recebeu do grupo chinês HNA um aporte de 1,7 bilhão de reais (23,7% do capital da Azul) e a Delta Airlines ampliou para quase 10% a sua participação na Gol.
COMPANHIAS DE BAIXO CUSTO: enquanto aqui no Brasil as companhias aéreas estão com enormes dificuldades, na Europa as duas maiores companhias que trabalham com passagens de baixo custo (low cost), a Ryanair e a EasyJet, vão anunciar resultados positivos no quarto trimestre de 2015. Os especialistas dizem que essas companhias estão se adaptando melhor ao mercado e expandindo a sua rede de passageiros para homens de negócios (antes assentos ocupados por “turistas frugais”). Outros, mais céticos, afirmam que além das adaptações essas companhias foram beneficiadas pelo preço do petróleo, vantagem anulada no Brasil em função da desvalorização do real e consequente alta do dólar.
PRIVATIZAÇÕES SEGUEM: além da maior participação estrangeira no capital das empresas aéreas, seguem a todo vapor os planos para a privatização dos aeroportos. Os próximos serão os de Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador. É provável que a publicação dos editais para a concessão desses aeroportos ocorra entre fevereiro e março.  Os editais de licitação estão sendo analisados pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Nas privatizações anteriores, o único sucesso marcadamente visível está nas operações do Aeroporto Internacional André Franco Montoro de Guarulhos: fez as reformas a tempo da realização da Copa do Mundo de Futebol e hoje é considerado um dos aeroportos mais eficientes do mundo. Em outros aeroportos há atrasos e o de Viracopos, em Campinas, é um exemplo de ineficiência e lentidão, além de outros problemas graves que estão sendo ignorados pelas autoridades investigadoras, inclusive da Operação Lava Jato.
PROMOTOR ACUSADO DE CORRUPÇÃO: o promotor público paulista, Roberto Senise Lisboa, foi denunciado pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elis Rosa. Segundo a peça acusatória, o promotor Senise Lisboa teria favorecido a rede varejista Casas Bahia por supostos crimes contra consumidores. As práticas delituosas da rede varejista teriam ocorrido na loja do Shopping Interlagos e o promotor teria sido, no mínimo, omisso, elaborando um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) favorável à empresa e recebendo vantagens em troca. Alexandre Machado Guarita, diretor-jurídico da empresa, e o advogado Vladmir Oliveira da Silveira também foram denunciados por envolvimento no caso. Acontecimentos como esses são raros, porém emblemáticos e devem receber tratamento rigoroso, pois se os fiscais da sociedade negligenciam, não há salvação à vista. O caso recebeu destaque na imprensa paulista e o Estadão fez longa reportagem sobre o assunto (página A-17, de 23/01/16).

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

UGTpress: APOSENTADORIAS

OPORTUNIDADE E TRANQUILIDADE: um país precisa oferecer a seu povo duas coisas básicas: oportunidade e tranquilidade. A oportunidade se dá através de uma educação de qualidade para todos, sem distinção; a tranqüilidade se dá através de uma visão calma e pacífica do futuro, na velhice ou na doença. Nos dois casos, a sociedade está sendo justa consigo mesma custeando os dois benefícios mais importantes para seus filhos. Tanto a educação quanto a previdência brasileiras, infelizmente, ainda não são oferecidas ao povo de forma eficiente e justa.
NOÇÃO DE JUSTIÇA: a educação será justa quando integral e para todos, de forma que cada um, explorando sua profissão (ou talento) possa conseguir dignamente seu sustento. A previdência social será justa quando for igual para todos, sem privilégios e capaz de oferecer tratamento para as doenças e ou acidentes e uma velhice tranquila, sem atropelos. A educação brasileira é ruim para a maioria e boa para aqueles que podem pagá-la. A previdência brasileira é boa para os servidores públicos (não todos) que se aposentam com salários integrais. É ruim para os trabalhadores da iniciativa privada. Na maioria, os trabalhadores brasileiros da iniciativa privada continuam trabalhando depois de aposentados.
APOSENTADORIA: desde a primeira metade do século passado, o brasileiro convive com a noção de aposentadoria depois de 30 ou 35 anos de trabalho. O Brasil passou por muitas legislações, sendo a principal e mais geral a Lei Eloy Chaves de 1923. Depois, surgiram os institutos, os IAPs, organizados por categorias. Saqueados em suas reservas (a construção de Brasília levou boa parte delas), o governo militar unificou-os e hoje temos o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), cuja obrigação em sistema de custeio tripartite (governo, empresários e trabalhadores) é oferecer aposentadoria, pensão por morte, auxílio doença e auxílio acidente, entre outros benefícios.
HISTÓRIA: a noção de ajuda para as pessoas sem possibilidade de se sustentarem é velha. Começou com o mutualismo na antiga Grécia; nas sociedades romanas com o “pater famílias”; na Idade Média com os montepios, que eram organizações privadas; em 1601, surgiu a Lei dos Pobres, na Inglaterra, com assistência paroquial (através das igrejas). O grande salto veio com Bismark, na Alemanha, em 1883, ao criar os institutos para beneficiar os trabalhadores (ele mesmo, um ano depois, criou o “auxilio doença”). Depois do nascimento da Organização Internacional do Trabalho, em 1919, vieram os convênios e cada país tem seu modelo de legislação previdenciária.
RICARDO PATAH: a Folha de São Paulo promoveu um debate em suas páginas e convidou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, para escrever um texto sobre o assunto que teve grande repercussão. Nele, Patah defendeu claramente a manutenção das atuais regras, afirmando: “Posso garantir desde já que nós, da UGT, somos contra qualquer proposta que penalize trabalhadores ao adotar regras para a aposentadoria, seja por idade mínima (como quer o governo em 2016), pelo famigerado fator previdenciário (de 1999), ou pela fórmula 85/95 (em estudo”). Ele disse também que, no caso do Brasil, cuja entrada no mercado de trabalho se dá aos 12, 14 ou 16 anos, a “idade mínima é um castigo”.
MUITA ÁGUA: como se diz no interior “vai passar muita água debaixo da ponte” antes que se solucione ou que se chegue a um consenso sobre este tema. Todas as centrais de trabalhadores estarão unidas e manifestando-se contra modificações que retirem mais recursos dos trabalhadores. Antes, é preciso uma varredura nas grandes aposentadorias pagas pelo Estado aos privilegiados de sempre, no caso, uma minoria de servidores. A maioria, como se sabe, também é prejudicada em função dos “direitos adquiridos” dos mais graúdos. UGTpress vai discutir mais sobre esse assunto. Colaborações para ugtpress@terra.com.br