terça-feira, 1 de julho de 2014

UGTpress: SINDICALISMO INTERNACIONAL

ONDA DE FUSÕES: na primeira década do século (ou do milênio, como preferem alguns), houve duas importantes fusões no sindicalismo internacional. Elas foram, sobretudo, fruto do arrefecimento da Guerra Fria e decorrência dos novos tempos, sem muito espaço para ideologias radicais e com a nova e plena aceitação do pluralismo. Há ainda defensores da "luta de classes", mas isso ficou restrito a poucas correntes sindicais, embora se reconheça que as desigualdades não foram superadas e nem o progresso social chegou para a maioria. Há uma evidente constatação: os sindicatos perderam a batalha da comunicação. Embora tendo os seus próprios instrumentos para chegar à base, os sindicatos foram varridos da grande imprensa, só aparecendo quando a notícia é negativa. É que, hoje, a grande imprensa pertence a fortes grupos econômicos e, normalmente, são de direita, defendendo claramente o capitalismo e sua vertente mais recente, o neoliberalismo.

CSI: a primeira grande e principal fusão ocorreu na Europa. A Confederação Sindical Internacional (CSI) nasceu da fusão de CMT (Confederação Mundial do Trabalho) e CIOSL (Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres), ambas sediadas em Bruxelas, (Bélgica). Reuniu a maioria das organizações sindicais do mundo. O congresso fundacional da CSI ocorreu em Viena (Áustria), em 2006. A CSI recentemente realizou o seu terceiro congresso (18 a 23 de maio, em Berlim, Alemanha). Houve importantes mudanças, embora tenha sido mantida a secretária-geral, Sharon  Burrow. As mudanças mais visíveis ocorreram na presidência (foi eleito João Felício, da CUT-Brasil) e no conjunto de vice-presidentes. Também no Conselho Geral houve muitas mudanças, com vários brasileiros integrando-o.

EVOLUÇÃO: o segundo período de Sharon Burrow foi de evolução. Apesar de haver um candidato alternativo, ela se impôs como a melhor opção e recebeu a consagração dos congressistas. A presença de um brasileiro na presidência foi um salto à frente. A CUT-Brasil é atualmente uma das maiores centrais de trabalhadores do Ocidente e João Felício tem grande folha de serviços prestados ao sindicalismo: ex-presidente da CUT e seu atual secretário de Relações Internacionais, ele teve apoio em todos os continentes e foi uma unanimidade. Foi também apoiado por FS (Força Sindical) e UGT (União Geral dos Trabalhadores), centrais brasileiras. O presidente da UGT-Brasil, Ricardo Patah, fez questão de comparecer em Berlim para apoiar pessoalmente a candidatura de João Felício à presidência da CSI.

CSA: a Confederação Sindical dos Trabalhadores/as das Américas (CSA) nasceu da fusão entre ORIT (Organização Regional Interamericana do Trabalho) e CLAT (Central Latino Americana dos Trabalhadores). O congresso fundacional ocorreu em 2008 na Cidade do Panamá. Também se consolidou, tem direção homogênea na ação e no pensamento, algo raro de se ver em organizações sociais. Essa afinidade entre os componentes de sua diretoria proporciona um ambiente de realizações e avanços. Por isso, dentre as filiadas continentais da CSI, ela é a melhor estabelecida e mais desenvolvida sindicalmente, produzindo um trabalho incomparável, de fôlego. Sendo referência sindical, a CSA tem alianças com organizações públicas e privadas do Continente e é um sucesso. Seu secretário-geral é Victor Báez Mosqueira (Paraguai) e seu presidente é Hassan Yussuff (Canadá).

BRASIL: embora tenha havido essa onda de fusões em nível internacional e no Brasil, com o exemplo de CAT, CGT e SDS, as quais formaram a UGT, o Brasil ainda convive com muitas centrais sindicais. O ideal é a participação dos trabalhadores nas centrais sindicais, mas estas precisam ser poucas e com alta concentração de entidades sindicais. No Brasil e no Cone Sul das Américas, a participação dos trabalhadores nos sindicatos é bastante razoável, mas, em alguns países, a adesão aos sindicatos está diminuindo. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Com revisão de tarifas, ações do setor elétrico ficam mais atraentes

SÃO PAULO - Depois de terem sido castigadas com as mudanças de regras no setor, os analistas começam a vislumbrar no horizonte um período de alívio para as ações de empresas elétricas. Eles avaliam que, a médio prazo, esses papéis podem recuperar o perfil defensivo, ou seja, o de ações que não apresentam oscilações muito bruscas. No horizonte dos analistas também já existe a perspectiva de que essas ações voltem a pagar bons dividendos (divisão do lucro das empresas), o que as coloca novamente no radar dos investidores.

A primeira notícia positiva é que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador do setor, sinalizou que irá atender aos pedidos de reajuste das tarifas feitos pelas empresas. Isso ajuda a recuperar uma parte do tombo no caixa dessas companhias, decorrente da decisão do governo federal de antecipar a renovação das concessões das geradoras de energia e exigir redução das tarifas. Com expectativa de um fluxo de receita menor, as ações foram imediatamente punidas pelo mercado. Algumas acumulam perda de 37%, caso da AES Eletropaulo, desde setembro de 2012, quando houve a intervenção federal. Pesou também sobre os papéis o custo extra que algumas elétricas tiveram com o uso de energia térmica, mais cara que a hidrelétrica, e com as compras de energia no mercado livre, cuja cotação atingiu um valor recorde no início do ano.

CAUTELA COM ESTATAIS
Outra expectativa positiva do mercado tem a ver com o clima. Os meteorologistas preveem um inverno chuvoso em algumas regiões do país, o que deve fazer o nível dos reservatórios subir. Assim, fica afastada a hipótese de um apagão, outro fantasma que rondava o setor. Nessa conjunção de fatores, as ações de algumas empresas têm espaço para ganhar força na Bolsa.
- Algumas companhias, como a CPFL, oferecem bom potencial de retorno ou de dividendo (divisão do lucro). Mas ainda é preciso certa cautela com esses papéis, principalmente das empresas controladas pelo governo, já que há eleições este ano. Agora, é preciso ser mais seletivo - afirmou Karina Freitas, analista da Concórdia Corretora.

Até agora, os reajustes dados pela Aneel estão em linha com o aumento dos custos das distribuidoras. A Copel, que atua no Paraná, por exemplo, teve autorização para elevar as tarifas em 35,05%, embora o governo do estado tenha pedido suspensão do reajuste. A AES Eletropaulo, responsável pela distribuição na Região Metropolitana de São Paulo, solicitou 16,69%, e a decisão será anunciada esta semana.

Entre as companhias do setor privado, a CPFL aparece como uma das favoritas para integrar a carteira de quem está interessado no setor. Os analistas ressaltam que a empresa é bem administrada e está diversificando sua matriz, investindo em energia renovável. Os papéis de AES Eletropaulo e Tractebel também são vistos como boas opções.
Para Luis Gustavo Pereira, analista da Guide Investimentos, o próprio desaquecimento da atividade econômica tem ajudado o setor. Com crescimento menor, o consumo de energia cai, afastando o risco de racionamento.
- O desaquecimento da economia ajuda a reduzir a demanda por energia - explica.

EXPECTATIVA SOBRE DIVIDENDOS
O analista Bruno Piagentini, da Coinvalores, lembra que em anos anteriores a Aneel não atendeu integralmente aos pedidos de reajuste feitos pelas companhias. Na atual rodada de revisão tarifária, a percepção é que o órgão regulador reconhece que os custos subiram e deve atender às necessidades de aumento de tarifa.
- Esperamos algo mais positivo para esse ciclo de revisão tarifária. Ele deve ser mais favorável às distribuidoras - diz o analista, ressaltando, porém, a indefinição sobre um possível novo socorro do governo às empresas que ainda não conseguiram cobrir todos os custos extras da energia mais cara dos últimos meses.

Também existe a expectativa, no mercado, de que as empresas do setor elétrico voltem a ser boas pagadoras de dividendos, como ocorria antes da mudança de regras. Com caixa menor e menos previsível, a distribuição de dividendos caiu da faixa dos 10% para os 6%. De acordo com os analistas, a CPFL é a exceção nesse quesito: ela praticamente manteve o nível dos dividendos, mesmo depois das mudanças.
Próxima Com revisão de tarifas, ações do setor elétrico ficam mais atraentes

30/06/2014 por O Globo 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O preço do populismo tarifário

Para entender o aumento de 35% na conta de energia elétrica, autorizado pela Aneel, é preciso retroceder à canetada presidencial que baixou a tarifa na marra
Na véspera do Dia da Independência do Brasil, em 2012, a presidente Dilma Rousseff foi à televisão avisar aos brasileiros que a tarifa de energia elétrica iria baixar em 2013. “Vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica das indústrias e dos consumidores domésticos”, disse, na ocasião, sobre a redução média de 16,2% para consumidores residenciais e 28% para o setor produtivo. Em janeiro de 2013, novamente em cadeia nacional de rádio e televisão, ela voltou a anunciar a redução na tarifa, após assinar um decreto e uma medida provisória sobre o tema. Para conseguir a “colaboração” das distribuidoras de energia elétrica, o governo usou como moeda de troca a prorrogação de concessões que incluem usinas e linhas de transmissão. Sem retroceder a essa canetada governamental, é impossível analisar o aumento de 35% na conta de energia elétrica que a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou na terça-feira, a pedido da Companhia Paranaense de Energia (Copel).
A redução unilateral da tarifa, determinada por Dilma, causou um efeito cascata no setor elétrico nacional e, no fim, acabou sendo o contribuinte brasileiro a pagar pelo foguetório governamental – anunciado, também é bom recordar, perto das eleições municipais de 2012. As empresas que não tinham certeza de que suas concessões seriam renovadas já tinham colocado seus investimentos em marcha lenta, e o resultado pode ser visto nos vários apagões que volta e meia deixam grandes áreas às escuras. A tarifa mais baixa não ajudou as companhias a investir mais. A Eletrobras topou o negócio proposto por Dilma ao reduzir o preço da energia em troca da renovação das concessões, e não só perdeu cerca de R$ 20 bilhões em valor de mercado desde então, como também viu um lucro líquido de R$ 3,7 bilhões em 2011 virar prejuízos de R$ 6,9 bilhões em 2012 e R$ 6,3 bilhões em 2013. A Copel, a mineira Cemig e a paulista Cesp não aceitaram os termos do governo, mas suas tarifas foram reduzidas da mesma forma.
E, enquanto os consumidores pagavam menos na conta, a energia ficava cada vez mais cara. Com as usinas hidrelétricas mais recentes sendo construídas “a fio d’água” – ou seja, sem grandes reservatórios –, qualquer estiagem já força a ativação das usinas termelétricas, cuja operação é mais cara, elevando o preço final da energia. A conta definitivamente não fecha, e, se essa diferença não estava sendo bancada pelo usuário que paga a conta de luz, alguém deveria estar arcando com o prejuízo – no caso, o Tesouro Nacional, ou seja, o contribuinte brasileiro, independentemente de quanta energia ele consuma. Em 2013, o subsídio foi de R$ 22 bilhões. Em 2014, segundo a consultoria PSR, serão mais R$ 25,6 bilhões.
A falta de investimentos causada pela insegurança em torno da renovação dos contratos e a canetada governamental para reduzir a tarifa de energia na marra bagunçaram o setor elétrico nacional. Agora, consertar o estrago exige um preço alto – e impopular. Foi a própria Copel que pediu à Aneel autorização para um reajuste médio de 32,4%, e o governador Beto Richa disse que trabalharia para evitar um grande impacto para os consumidores, adiando ou escalonando o reajuste. Aqui, pesa o cálculo político, pois Richa, da oposição ao governo federal, colheria em ano eleitoral as conse­quências de um grande aumento na conta de luz, apesar de todo o cenário que levou à situação atual ter sido desenhado pelo Planalto.
Não foi apenas o setor elétrico que sofreu com a política governamental de represar preços administrados. Basta ver como a Petrobras foi prejudicada com a resistência em permitir que os preços da gasolina reflitam as variações do mercado internacional. Tudo para manter a inflação sob controle – e, por “controle”, leia-se “perigosamente perto do limite superior da meta do Banco Central”. Mas, mais cedo ou mais tarde, a fatura do populismo aparece. E quem paga é sempre o cidadão.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

UGTpress

ENTRELINHAS: entrelinhas não é só o plural de "entrelinha", o espaço entre duas linhas. Vai mais longe: no sentido figurado, representa uma ilação ou dedução mental, algo implícito em termos de significado. Hoje, quando alguém lê um jornal ou uma revista precisa ter muita capacidade para "enxergar nas entrelinhas", ou, quase com certeza, perderá o principal da matéria e não entenderá todo o alcance do assunto. Especialmente no Brasil, onde os escândalos pululam e os meios de comunicação não podem (ou não querem) escancarar o problema, em geral uma crítica contra governos ou autoridades, você precisa ter um olho especial para aquilo que não foi dito ou escrito. As "entrelinhas", em seu sentido figurado, passaram a ter grande importância para a análise do que se lê. Vamos a um exemplo:

PETROBRÁS: se a prática da corrupção no país está disseminada em todos os escalões governamentais e em todas as instâncias políticas, não seria a Petrobrás, onde se movimenta a maior quantidade de recursos, a estar isenta dessa praga. No momento em que boa parte da sociedade brasileira está propensa a aceitar os seus negócios (mesmo os mais absurdos!) como legítimos, lá no canto da página A8, Folha de São Paulo, 17 de abril, há uma entrevista com a viúva do engenheiro Gésio Rangel de Andrade, a senhora Rosane França, de 56 anos, mãe de três filhos com Gésio, com duas frases emblemáticas: a) "sempre tinha alguém recebendo herança"; e b) "nunca soubemos de casos de corrupção, mas é lógico que você percebe que fulano viaja com os filhos para fora do país três vezes por ano". Simples, não? Lá nos cafundós da Amazônia, onde um gasoduto de 2,49 bilhões de reais ficou mais caro 2 bilhões de reais, surge a pobre viúva de um funcionário decente e diz duas frases, referindo-se não aos grandes dirigentes, mas à arraia miúda, aqueles funcionários menores, beneficiados com as esmolas do esquema maior. Isso basta para "nas entrelinhas" você deduzir que, no andar de cima, as coisas não vão bem.

JORNALISMO: muitas vezes, os profissionais da imprensa são bastante sábios para colocar de propósito, nas entrelinhas, dicas suficientes para o entendimento mais amplo da matéria. Em geral, isso está mais presente nos artigos de fundo, nas análises cotidianas, em colunas específicas ou em notas esparsas. Infelizmente, o que serve para o bem também serve também para o mal. Existem manchetes que induzem a determinados juízos quando, no corpo da matéria, o conteúdo não condiz com a chamada. Como grande parte dos leitores se atém à manchete, corre-se o risco de interpretações erradas. Somente uma pequena parcela de leitores está apta a "enxergar nas entrelinhas", deduzindo-se daí à baixa influência dos veículos impressos. Os noticiários televisivos, com suas notas superficiais e rápidas, levam grande vantagem na capacidade de influenciar o telespectador. Por isso, ser hoje largamente a forma de propaganda e publicidade preferida.

RECURSOS ECONÔMICOS: entre tantos fatores que levam a esses malabarismos midiáticos está a enxurrada de recursos econômicos que é drenada do poder público para as empresas de comunicação. Em 2013, nada menos do que valores acima de dois bilhões de reais. É por isso que, vez ou outra, sabemos de demissões de jornalistas ou de censura aos âncoras e, ainda, assistimos ocasionalmente a um noticiário chocho, sem pé nem cabeça. Não há mais análise, notas são lidas em tom monocórdio, sem inflexão, despretensiosamente, não se permitindo a mais leve indignação. Às vezes se capta o olhar do âncora, mas até nisso eles são atentos para não dar a mínima pista da sua contrariedade ou constrangimento. Não está nada fácil a vida dos jornalistas.  

OUTRA CONSTATAÇÃO: vamos já para o exemplo: todo mundo nota que Vladimir Putin está dando um show no Ocidente em termos de decisão. Sua rapidez para responder aos desafios da crise ucraniana e às medidas para anexar a Criméia foi mais do que eloquente. Enquanto isso, os líderes como Barack Obama ou chefes de governo da Europa, em lentidão paquidérmica, demoram séculos para responder aos mesmos desafios. A causa disso está na democracia. A democracia exige que Obama e os líderes europeus consultem a opinião pública, os parlamentos, observem as leis, enquanto lá no leste europeu, em função da tradição e de outros pormenores, as democracias são parciais e os chefes de governos gozam de maior autonomia. Evidente que não é só isso, mas salta aos olhos que governos democráticos, observadores das leis, têm mais dificuldades para tomar decisões. A democracia precisa ser aperfeiçoada para evitar que alguns apressados a tenham como limitante.

ATUALIDADES: quase terminando a primeira fase da Copa do Mundo de Futebol, nota-se um balanço inicial positivo: não foi o apocalipse apregoado em alguns segmentos e o país tem sido retratado no exterior com boa imagem, especialmente de seu povo, alegre e hospitaleiro. Problemas existem e são alvo de reportagens especiais. Nem seria possível escondê-los. Houve manifestações, algumas violentas, mas restritas a grupos minoritários. No quesito principal, o futebol tem sido uma Copa de surpresas e muitos gols, o que amplia o campo de notícias e faz a alegria da imprensa. Por enquanto, vamos bem.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

UGTpress

CIBERNÉTICA: Wikipédia: "é a tentativa de compreender a comunicação e o controle de máquinas, seres vivos e grupos sociais através de analogias com as máquinas eletrônicas (homeostatos, servomecanismos, etc.)". Dicionário inFormal: "é uma palavra de origem remota que explica o estudo das funções humanas de controle e dos sistemas mecânicos e eletrônicos que se destinam a substituí-los". Há mais de 30 palavras derivadas e o significado de uma delas - cibercombatentes - passou a ter importância estratégica para os países desenvolvidos.

CIBERCOMBATENTES: os Estados Unidos anunciaram recentemente que até o fim de 2016 irão duplicar o número de cibercombatentes, atingindo 6 mil só para serviços ao Pentágono, sem contar aqueles que já prestam serviços para as forças militares. A função dos cibercombatentes é impedir os ciberataques, realizados por hackers criminosos. Na verdade, há uma preocupação em preservar segredos das empresas do Vale do Silício, de fornecedoras dos militares e de empresas de energião

CHINA:  o outro país muito empenhado nesse novo nicho de segurança é a China, cujos conflitos com os Estados Unidos tendem a crescer. Os dois países já conversaram oficialmente sobre o tema, especialmente depois das revelações de Edward Snowden. Revelações do The New York Times e da revista alemã Der Spiegel dão conta que os Estados Unidos chegaram a penetrar nas redes da Huawei, a maior empresa de telecomunicações e internet da China. Informações não comprovadas revelam que os chineses têm feito ataques sistemáticos às empresas americanas. 

CIBEREXPLORAÇÃO OU CIBERSEGURANÇA: termos novos estão sendo utilizados, mas, no fundo, apenas disfarçam a preocupação das superpotências em defender ou descobrir segredos entre si. A periferia do mundo, inclusive alguns países grandes como o Brasil, está praticamente sem chances nesta corrida cibernética. Esses países não têm meios adequados para proteger seus poucos segredos e não é novidade que a Petrobrás foi espionada pelos Estados Unidos. Como a Petrobrás é uma empresa por si mesma vulnerável (há notícias de roubos de material estratégico dentro de seus veículos) e o Brasil não tem meios inteligentes para coibir este tipo de espionagem, certamente muita coisa já é de domínio estrangeiro.

SEGURANÇA NACIONAL: essas questões são hoje um problema de segurança nacional. Os Estados Unidos informaram que sua espionagem destina-se a proteger o próprio país e a prioridade é a sua segurança. Claro, os chineses e outros povos não acreditam nisso e para os chineses, segurança nacional e segurança econômica são a mesma coisa. David Sanger, do The New York Times, onde buscamos essas informações, disse que "as revelações mudaram a discussão entre os funcionários de alto escalão do Pentágono e do Departamento de Estado e seus equivalentes chineses em reuniões discretas para elaborar o que um deles chamou de "um entendimento sobre regras e sobre normas de comportamento", para China e EUA". Os grandes, como sempre, acabam se entendendo. 

EDWARD SNOWDEN: lendo e investigando sobre esses novos temas e suas vertentes, tem-se a dimensão da importância das revelações do jovem americano, hoje exilado na Rússia. Já houve até quem o indicasse para o Prêmio Nobel da Paz, algo praticamente impossível. Porém, não há dúvida que, na posteridade, o seu nome ficará gravado como um dos mais importantes homens do século 21, aquele que alertou o mundo para os abusos existentes numa nova, moderna e extraordinária ferramenta de comunicação: a internet e seus derivados.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

AGU demonstra culpa da Cemig e de empresa em acidente com trabalhador e INSS será ressarcido em R$ 670 mil


A Companhia Energética de Minas Gerais S.A. e a Setap Construções Ltda. foram condenadas a restituir R$ 670 mil aos cofres públicos. A Advocacia-Geral da União (AGU) comprovou, na Justiça, que as empresas foram responsáveis pelo acidente que resultou na morte de um trabalhador atropelado durante a troca de postes e agora terão que repor os valores gastos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com a pensão por morte aos familiares da vítima.

A Procuradoria-Seccional Federal em Uberlândia/MG (PSF/Uberlândia) e a Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto (PFE/INSS) explicaram que o trabalhador morreu atropelado ao tentar escapar da queda do poste de distribuição de energia elétrica que estava sendo trocado. De acordo com os procuradores, as empresas responsáveis pelo serviço foram omissas com as normas de segurança e higiene do trabalho.

As unidades da AGU apontaram que a Cemig e a Setap interditaram somente metade da Avenida Paulo Roberto Cunha Santos para a realização do serviço e o correto seria que tivessem feito a interdição total da via pública para garantir a integridade dos trabalhadores durante a reparação da rede urbana de transmissão de energia elétrica. Os procuradores informaram que esta medida seria necessária já que havia o risco de queda do poste pelo avançado estado de deterioração.

As procuradorias apontaram, ainda, que o laudo de investigação do acidente feito pela Secretaria Regional do Trabalho em Minas Gerais apontou que várias causas contribuíram para o acidente, dentre elas ausência de um caminho seguro de fuga em caso de imprevistos durante a execução dos serviços, o planejamento inadequado para a execução da tarefa, a falha na detecção de riscos e o início das atividades sem prévia autorização do órgão público competente.

A 1ª Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia concordou com os argumentos apresentados pela AGU e condenou solidariamente as duas empresas a ressarcirem a autarquia previdenciária por todas as parcelas já pagas e as que ainda serão pagas a título de pensão por morte, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros de mora. A PSF/Uberlândia e a PFE/INSS são unidades da Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU. Ref.: Ação Ordinária nº 14687-68.2011.4.01.3803 - 1ª Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia.


Fonte: Âmbito Jurídico

sexta-feira, 13 de junho de 2014

UGTpress

A COPA DE 1950: Valemo-nos das observações feitas, no Facebook, pelo ex-prefeito de São José do Rio Preto (SP), o médico Liberato Caboclo, sobre a Copa do Mundo de 1950. Também houve atraso nas obras e acusações de corrupção. Mas, nada com a dimensão atual. Estávamos na época dourada do rádio e grande parte da população, muito menor à época, ainda estava no campo. Prevaleciam os termos em inglês: lateral (out-side), impedimento (off-side), jogo (match), goleiro (goal keeper) e uma série de posições (half, center half, half direito, etc). Algumas palavras foram aportuguesadas, como por exemplo, escrete (schatch), que consta do novo Aurélio. O que se lembra dessa época é que o Brasil perdeu a final para o Uruguai. Se a seleção brasileira de futebol chegar novamente à final, será um trauma a vencer.

A COPA DO MUNDO ANUNCIADA: Quando o governo Lula anunciou a realização da Copa do Mundo no Brasil, desconhecemos exceções, todos ficaram satisfeitos, especialmente a imprensa esportiva. Vamos ser francos: quanto mais eventos esportivos, mais empregos na área e maior audiência (ou leitura) nos meios de mídia e, consequentemente, maior publicidade. Embora hoje a publicidade governamental seja de longe a mais intensa, massacrante mesmo, também as grandes empresas entraram forte no esquema, proporcionando bons lucros aos meios. Em termos de publicidade governamental, provavelmente, em função da Copa do Mundo, o Brasil vai bater um recorde e atingir, em 2014, aproximadamente três (3) bilhões de reais em gasto, o que, convenhamos, não é uma soma desprezível.

SURPRESA DESAGRADÁVEL: A grande surpresa surgiu na Copa das Confederações, evento preparatório para a Copa do Mundo. Explodiram manifestações em todo o país, com argumentações para lá de razoáveis. As comparações, principalmente, foram em função dos gastos da Copa do Mundo com as realizações no campo da saúde e da educação, ainda setores em que o país não atingiu sua maioridade. Depois disso, se falou em reformas, principalmente a política, algo já esquecido pelo Legislativo e Executivo brasileiros. Mas, os temas ficaram latentes e os problemas não foram resolvidos, o que gera novo combustível para os grupos que se manifestam. Conforme o previsível, as manifestações voltaram,  embora, parece, não tenham a adesão da maioria.

PERDAS E GANHOS POLÍTICOS: Em um ambiente de festa e  turbulência, certamente há perdas e ganhos para os grupos políticos que acabam por se enfrentar com os meios de que dispõem. Até agora, tudo indica, a presidente Dilma Rousseff perdeu pouco e o pouco que perdeu por enquanto é insuficiente para tirá-la da corrida presidencial deste ano. Só um desastre maior, algo extremamente imprevisível, pode mudar o ambiente eleitoral. Há quem acredite que, se o Brasil não for bem no Mundial, haverá irreversível perda de pontos políticos para a presidente. Não é o que mostram as pesquisas, inclusive do próprio governo. Se a seleção cair na primeira fase, o desgaste será muito grande, incontrolável. Mas, caso contrário, se a seleção ficar entre as quatro primeiras colocadas, as explicações de costume serão suficientes.   

EFEITOS IMEDIATOS: As últimas pesquisas de intenção de votos (Datafolha, semana passada) mostram um fenômeno estranho nas intenções de votos dos brasileiros. Dilma Rousseff vem caindo, porém os votos que ela perde não migram para outro candidato de oposição. Aumentaram os indecisos e os votos nulos e brancos, que já estão em um quinto do eleitorado (20%, aproximadamente). Talvez esse seja o efeito imediato visível das atuais manifestações.

MANIFESTAÇÕES ATUAIS: Contrariamente ao que aconteceu à época da Copa das Confederações, os movimentos paredistas atuais têm origem em movimentos e partidos de ultra esquerda. Antes, foi mais uma formação espontânea, da qual participaram estudantes e outros grupos sindicais. Há certa inquietude quando se confronta abertamente as autoridades e se promove um clima de insegurança e medo, que não serve a ninguém, muito menos aos próprios movimentos. Reivindicações justas e razoáveis sempre têm espaço, em qualquer tempo. Contudo, quando elas extrapolam o bom senso, servem certamente a outros objetivos que não os da categoria representada. Hoje, o sindicalismo praticado especialmente pelas centrais de trabalhadores tem um viés comportado, pacífico e de natureza política abrangente. Em geral, as centrais tentam dialogar com as autoridades e seus argumentos não se restringem às questões meramente trabalhistas. Estão maduras e caminham em vias alternativas. No dia Primeiro de Maio, a UGT (União Geral dos Trabalhadores do Brasil) deu um raro exemplo, fazendo discussões, inclusive com palestrantes do exterior, mostrando que, sim, existem vias de negociação e diálogo. É o que se espera das representações institucionalizadas.

A FACE DA VERDADE: O que está mais do que visível, é que mesmo quando estapafúrdias ou destemperadas, as pessoas toleram as manifestações. Embora sem adesões e até com condenações pontuais, todos acham que há razão do lado de lá. Realmente, o país tem índices de corrupção intoleráveis; o programa habitacional é uma lástima (péssimas construções e preços altíssimos), com um sistema estatal monopolizado, nocivo e ineficiente; saúde precária, com aplicação de grande volume de recursos que se perdem no cipoal burocrático; educação ruim, a maior parte de seus trabalhadores são burocráticos e não estão nas salas de aulas; Estado perdulário e irresponsável. O país é rico, tem boa carga tributária e recursos suficientes para a solução de todos esses problemas. E aí veio a Copa: obras atrasadas, mal feitas (os inúmeros acidentes atestam isso) e caras. As obras de mobilidade urbana a cargo das prefeituras, na maioria dos casos, não foram entregues. Ninguém é cego, o mundo hoje é diferente de 1950, a sociedade está urbanizada e informada.

JANELA ABERTA: Essa possibilidade de comparação, de um lado as obras dos estádios de futebol e de outro as mazelas nacionais, abriu uma janela de observação para os brasileiros. Tornou visível que o país, se melhor administrado, pode resolver os seus problemas sem depender de ajuda externa. Os próprios brasileiros podem, através de suas instituições permanentes, encaminhar suas soluções. Apesar de ser uma frustração, é também uma conscientização. Temos meios e recursos para fazer um Brasil melhor. Essa situação ajudará a amadurecer os eleitores, mas há uma verdade pouco assimilada no meio do caminho: votos brancos e nulos não são a solução. A solução é ainda a participação de todos no processo democrático.

RESULTADOS: O país, com toda essa carga negativa de problemas e má publicidade, é assunto em todo o mundo. Continuará sendo assunto até as Olimpíadas de 2016. Quem viaja e tem oportunidade de ver e ouvir sobre o Brasil, ainda sente uma ponta de orgulho por tudo isso estar acontecendo entre nós. A publicidade interna acalma e abranda, salva as aparências, mas não esconde os problemas. Mas, em todo o planeta, a partir desta semana, só se falará do Brasil, bem e mal, com entusiasmo e com raiva, com erros e acertos. Isso repercutirá internamente e servirá como lição. Nossos políticos não aprendem. Não aprenderam com as manifestações anteriores e estão de mãos atadas diante das manifestações atuais. Continuam promovendo "mal feitos", como diz a presidente. Muito ainda se falará até meados de julho. Não estando na corrente do "quanto pior melhor"UGTpress é de opinião que não se pode perder a oportunidade de melhorar institucionalmente o país, promover as reformas necessárias, dar educação e saúde ao povo e construir verdadeiramente uma nação democrática.